|
CORREIO DO LEITOR
Os parcómetros
 |
Continuamos impávidos e serenos – certamente de noite, ou então não, pois até sonhamos com este assunto – a perguntar quando será resolvido o imbróglio dos parcómetros. O senhor presidente cessante (da Câmara) deixou a batata quente para o seu sucessor. Penso eu, e talvez não só, que sabemos que a situação estava seriamente desconfortável quando se tiveram de tomar decisões extremas. Como a situação parece estar a eternizar-se, perguntamos: até quando? Pois isto parece já andar a passo igual aos caracóis do meu quintal. Assim, pelo menos os ermesindenses não automobilizados, gostaríamos de saber quantos milhares de euros, desde o início do contencioso até hoje, deixaram de entrar nos cofres da Câmara. E ainda se no final do contencioso, se não for favorável à autarquia, o ex. concessionário poderá exigir de indemnização a esta. Claro que no final tudo termina mais milhar menos milhar. Claro, certamente o mexilhão que anda a pé e não tem dinheiro para comer e pagar os medicamentos, poderá vir a enfrentar mais uma taxinha nas faturas da água, da luz, ou outro disfarce de ocasião. E todos continuamos felizes. Também os “estacionadeiros” andam descontentes, na medida em que não conseguem um lugarzito, com mais facilidade, porque há lugares ocupados quase indefinidamente nos parquímetros. Vão tantas luas passadas e os responsáveis nem ao menos colocaram ainda uma pequena fita plástica nas ranhuras das moedas, pois ainda agora podemos observar os desconhecedores do sistema a resmungar com os inocentes parcómetros por não lhe aceitarem as milagrosas moedinhas. Em diálogo com um destes abandonados parcómetros, este fez-me queixinhas: «olha estou abandonado e infeliz; sou um desempregado de longa duração; já fui vandalizado para me levarem as moedinhas; rebentaram-me o esqueleto, agora estou aqui cheio de velhas e inestéticas ligaduras; estou vandalizado pelos “pinta paredes”; agora enchem-me o esqueleto de papeletas publicitárias».
Parcómetros privados, pagantes desconfiados. Já ouvi lamentar os agora beneficiários destas borlas: «isto agora é fixe, mas receamos que mais tarde nos entre nos bolsos uma fatura gorda». Respondi que enquanto o pau vai e vem… Ainda me disseram: «tu estás velhote, mas eu pareço mais do que tu».
Nota positiva: A Junta de Freguesia já está a cumprir a promessa da plantação de árvores. Já as vejo na Vila Beatriz e no Cemitério N.º1. Aguardamos também no jardim da Igreja. Ali ficavam bem, pelo menos duas ou três oliveiras, ou aquelas classes que idiotamente desapareceram frente ao Cemitério N.º1.
João Dias Carrilho: C.C. n.º 454502
|