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Assembleia Municipal de Jovens voltou a dar voz às escolas
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| Fotos CMV |
O Auditório Dr. António Macedo, em Valongo, acolheu, na noite 8 de maio último, mais uma sessão da Assembleia Municipal de Jovens (AMJ), iniciativa que, ao longo de duas décadas, se tem afirmado como um importante espaço de participação cívica, reflexão democrática e aproximação dos jovens às instituições autárquicas.
A sessão contou com a presença do presidente da Assembleia Municipal de Valongo, Manuel Augusto Dias, do presidente da Câmara Municipal, Paulo Ferreira, da vice-presidente e vereadores da Câmara, deputados municipais, do presidente da Junta de Freguesia de Campo, do presidente da Assembleia de Freguesia de Ermesinde e anterior presidente da Assembleia Municipal, além de professores e estudantes representantes dos vários estabelecimentos de ensino participantes.
Na abertura dos trabalhos, Manuel Augusto Dias recordou o percurso histórico da Assembleia Municipal de Jovens, sublinhando o seu contributo para a formação cívica e política das novas gerações. Destacou que esta iniciativa tem permitido, ao longo dos anos que leva de existência, desenvolver o espírito crítico, o respeito pelo pluralismo democrático e a capacidade de intervenção dos jovens na vida da comunidade.
Seguiu-se a intervenção do presidente da Câmara Municipal, que fez um balanço da última edição da AMJ, referindo algumas medidas entretanto concretizadas nomeadamente as alterações nos critérios do programa “Tok’A Mexer”. O autarca abordou ainda as dificuldades relacionadas com o acesso à habitação, reconhecendo tratar-se de um dos maiores desafios enfrentados pelas novas gerações.
Os trabalhos passaram depois a ser conduzidos pela Mesa da Assembleia Municipal de Jovens, constituída por Diogo Silva, do Agrupamento de Escolas de Campo, como presidente, Leonor Costa, do Agrupamento de Escolas de Valongo, como 1.ª secretária, e Tiago Seixas, do CENFIM de Ermesinde, como 2.º secretário.
Na primeira parte da sessão, os jovens deputados apresentaram diversos problemas e propostas relacionados com as suas freguesias e comunidades escolares.
O Agrupamento de Escolas de Campo centrou a sua intervenção nas questões da segurança e acessibilidade, sobretudo nas imediações dos estabelecimentos escolares. Os alunos alertaram para dificuldades relacionadas com o tráfego automóvel, a insuficiência de passadeiras, a necessidade de reforço da sinalização vertical e os problemas de estacionamento, defendendo medidas que aumentem a segurança dos estudantes nos percursos entre casa e escola.
O Agrupamento de Escolas de Ermesinde apresentou o tema “Condições e Valências do Espaço Escolar em Ermesinde”, chamando a atenção para a necessidade de criação de um espaço condigno destinado aos assistentes operacionais, permitindo melhores condições de convívio e refeição durante os períodos de descanso. Os estudantes consideraram que as obras em curso no pavilhão da Mecânica constituem uma oportunidade para resolver esta situação.
Por sua vez, o CENFIM de Ermesinde levou à discussão a temática da “Mobilidade Sustentável – Ciclovias em Valongo”, defendendo a criação de novas ciclovias e a manutenção das já existentes. Os jovens salientaram o crescente uso de bicicletas e trotinetes nas deslocações para os estabelecimentos de ensino, considerando importante garantir segurança, articulação com os restantes meios de transporte e promoção de hábitos ambientalmente sustentáveis.
Uma das apresentações mais desenvolvidas foi a do Agrupamento de Escolas de Alfena, centrada na urgente requalificação da Escola Básica 2/3 de Alfena. Os estudantes descreveram problemas de humidade, infiltrações, degradação de pavimentos, deterioração de portas e janelas, inexistência de aquecimento e insuficiência de equipamentos adequados para alunos com necessidades educativas especiais. Os jovens lembraram ainda que esta é a escola mais antiga do concelho de Valongo que ainda não beneficiou de obras de requalificação, apesar dos bons resultados académicos alcançados e da forte participação em projetos educativos e concursos nacionais. A intervenção sublinhou também a confiança que muitos encarregados de educação continuam a depositar naquela comunidade escolar.
O Agrupamento de Escolas de Valongo apresentou o tema “Valongo Jovem: Viver, Criar e Ficar” defendendo políticas e espaços capazes de favorecer a fixação dos jovens no concelho, valorizando simultaneamente a criatividade, a cultura e a participação comunitária.
No final desta primeira parte, o presidente da Câmara respondeu às várias intervenções, elogiando a qualidade, o realismo e a pertinência das propostas apresentadas. Relativamente às preocupações colocadas por Campo, admitiu a possibilidade de avançar rapidamente com melhorias na sinalização, embora reconhecendo maior complexidade noutros problemas ligados à circulação automóvel.
Quanto às reivindicações de Ermesinde, confirmou que os assistentes operacionais passarão a dispor de melhores condições na segunda fase das obras de requalificação do pavilhão da Mecânica. Sobre as ciclovias, considerou tratar-se de uma proposta importante do ponto de vista ambiental, embora lembrando que algumas vias dependem das Infraestruturas de Portugal.
Relativamente à Escola Básica 2/3 de Alfena, reconheceu tratar-se de uma situação prioritária, revelando que a Câmara Municipal já solicitou à tutela a inclusão da escola no plano nacional de requalificações e que o respetivo projeto se encontra preparado para avançar logo que exista financiamento disponível.
No que respeita a Valongo, o presidente gostou muito do slogan apresentado por esta equipa – “Viver, Criar e Ficar” – afirmando tratar-se de uma expressão feliz e representativa daquilo que deve ser o futuro do concelho.
A segunda parte da sessão foi dedicada a um debate sobre o Serviço Militar Obrigatório (SMO). A maioria dos jovens deputados manifestou-se contra a eventual reposição do SMO, argumentando que tal medida poderia limitar liberdades individuais, interromper percursos académicos e profissionais e representar elevados custos para o Estado. Alguns participantes defenderam, contudo, que o serviço militar poderia contribuir para reforçar a defesa nacional, a disciplina e o espírito de grupo.
Como habitualmente, a sessão terminou com a entrega de certificados de participação aos jovens deputados, reconhecendo o seu envolvimento numa iniciativa que continua a afirmar-se como uma importante escola de cidadania democrática no concelho de Valongo.
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