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Valongo Romano - De 14 e 17 de maio viajou-se no tempo do Império Romano
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| Fotos CMV |
Entre os dias 14 e 17 de maio de 2026, a Serra de Santa Justa voltou a transformar-se num verdadeiro cenário da Antiguidade Clássica com mais uma edição do “Valongo Romano”, iniciativa que convidou a população a viajar até ao tempo do Império Romano, recriando o ambiente, os costumes e o quotidiano de há cerca dois mil anos.
Este evento, promovido pelo Município de Valongo, afirma-se como uma celebração do património histórico, arqueológico e mineiro do concelho, evocando particularmente a excecional importância da exploração aurífera romana em Valongo, atividade que teve grande relevância no desenvolvimento económico do Império.
A edição de 2026 apresentou um vasto programa cultural, educativo e recreativo, pensado para públicos de todas as idades. O primeiro dia, 14 de maio, foi especialmente dedicado ao público escolar, tendo proporcionando a algumas centenas de alunos visitas guiadas, oficinas pedagógicas e demonstrações de ofícios e artes ancestrais.
Durante os dias reservados às escolas, os estudantes puderam conhecer a aldeia castreja, os acampamentos romanos, a arena dos gladiadores, as exposições de animais e diversas áreas interativas. Estiveram igualmente em atividade oficinas práticas como “Constrói o teu Capacete Romano”, “Joalharia Romana”, “Medalha Romana”, atividades ligadas à mineração romana, ferraria, fundição e olaria.
A componente pedagógica foi ainda enriquecida com encenações históricas e animações permanentes, incluindo espetáculos como “Pantomineiros”, “Arca da Fortuna” e “Correspondentes Imperiais”, que procuraram recriar episódios do quotidiano romano através do teatro, da música e da interação com o público.
Nos restantes dias, o “Valongo Romano” abriu-se ao público em geral, com um programa diversificado que incluiu cortejos históricos, combates de gladiadores, espetáculos de dança e música antiga, rituais em honra dos deuses, demonstrações militares, jogos romanos, teatro de rua e recriações inspiradas na exploração mineira aurífera da região.
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Um dos momentos altos aconteceu na sexta-feira, 15 de maio, pelas 18h30, com a Inauguração Oficial pelo presidente da Câmara, Paulo Ferreira, estando presentes também o presidente da Assembleia Municipal, alguns vereadores, representantes das autoridades policiais, colaboradores da Câmara Municipal e algum público. Depois do Grande Cortejo pela “Escadaria Cuca-Macuca”, sendo visíveis ruínas de edifícios da época romana, provavelmente de apoio à mineração aurífera que Roma ali levou a cabo, ocorreu, em ambiente festivo, o cerimonial da época romana, sendo escutados alguns senadores que deram notícias ao povo do aumento de impostos e de algumas penas com que eram castigados pelo Imperador os “fora da lei” daquele tempo. Paulo Ferreira interveio, também, para pôr em destaque a importância deste evento cultural que pode catapultar o concelho para um nível elevado do Turismo do Portugal Romano, sobretudo no capítulo da mineração do ouro, onde efetivamente as Minas Romanas de Valongo, com a sua especificidade, são caso raro no Império.
Ao longo do evento houve ainda música itinerante, passeios equestres, patrulhas de legionários, representações mitológicas e múltiplas recriações históricas.
O programa da noite de sábado, 16 de maio, prolongou-se até à meia-noite com vários espetáculos no anfiteatro e nas diferentes áreas do recinto. Os músicos voltaram a celebrar os deuses com sons inspirados na Antiguidade, tendo ocorrido, também, o espetáculo “Festivities”, que conjugou dança e música romana. Pouco depois subiu ao palco “Sub Umbra”, um “spectaculum theatrum” marcado por uma atmosfera misteriosa, centrada numa jovem capaz de comunicar com almas errantes e figuras esquecidas entre os mundos dos vivos e dos mortos. Já perto da meia noite, teve lugar a tradicional “Queimada em Honra ao Deus Baco”, encenação ritual inspirada no culto romano do vinho, da festa e da fertilidade. O programa do dia encerrou com a patrulha dos legionários pelo recinto.
O último dia, domingo, 17 de maio, teve igualmente um programa preenchido, tendo-se iniciado por voltas das 15h com a abertura do recinto, música itinerante e a presença de personagens mitológicas, como os faunos, bem como das habituais patrulhas de legionários. Durante a tarde decorreram passeios equestres, oficinas de joalharia, medalha e capacete romano, jogos tradicionais inspirados na época imperial e diversas recriações cénicas.
Entre os destaques do domingo refira-se o espetáculo “Arca da Fortuna”, centrado na história de três irmãos que descobrem um misterioso baú e aprendem o valor da partilha. Houve ainda demonstrações ligadas à mineração romana, ferraria e fundição, danças panteísticas, atuações musicais e demonstrações de cetraria com “O Voo da Águia”.
Mais do que um simples mercado ou recriação histórica, o “Valongo Romano” assumiu-se como uma importante iniciativa de valorização cultural e turística, permitindo dar a conhecer o relevante património arqueológico do concelho e reforçar a ligação da comunidade à sua memória coletiva.
Ao longo de quatro dias, visitantes de todas as idades tiveram oportunidade de mergulhar num ambiente histórico singular, onde o passado e o presente se cruzaram através da cultura, da história, da educação e da animação.
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