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O papel do profissional de saúde na doença mental
Na doença mental, o profissional de saúde ocupa uma posição privilegiada e sensível: é frequentemente uma das primeiras figuras a nomear o sofrimento, a atribuir-lhe significado e a orientar a forma como a pessoa se relaciona com a sua experiência. Por isso, a postura clínica adotada tem um impacto profundo não apenas na evolução dos sintomas, mas também na autoestima, na identidade e na relação da pessoa com o seu corpo e a sua imagem.
Muitas intervenções clínicas concentram-se, de forma compreensível, na estabilização emocional, na redução de risco e na funcionalidade. No entanto, quando o discurso clínico ignora ou minimiza o impacto da doença mental na forma como a pessoa se vê, corre-se o risco de transmitir a mensagem de que esse sofrimento é secundário ou irrelevante.
O papel do profissional passa, antes de mais, pela escuta. Escutar não apenas os sintomas, mas a experiência subjetiva da doença: como a pessoa se sente no próprio corpo, como percebe as alterações na sua aparência, como acredita que os outros a veem. Esta escuta cria um espaço terapêutico onde o sofrimento pode ser nomeado sem julgamento e integrado de forma mais saudável. Perguntas simples, mas intencionalmente abertas, podem ter um efeito transformador na forma como a pessoa se relaciona consigo própria.
Legitimar o sofrimento não significa
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Íris Pinto
*Psicóloga
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