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Edição de 31-03-2026
Jornal Online

SECÇÃO: História


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ERMEISNDE DEPOIS DE ABRIL (3)

O ano 1976

Se 1974 foi o tempo da rutura e 1975 o da transição, 1976 foi, para Ermesinde como para o país, o primeiro ano inteiro de normalização democrática. Com a entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa, em abril, e a realização das primeiras eleições legislativas, presidenciais e autárquicas em liberdade, consolidava-se um novo quadro institucional. Mas a democracia não se fez apenas em Lisboa. Fez-se, sobretudo, nas vilas e cidades onde passou a ser vivida no quotidiano. Ermesinde foi um desses lugares.

O ano começou com sinais claros de dinamismo cultural. Surgiu a revista mensal Idealeda, dedicada à poesia, ficção, ensaio e arte, dirigida por três nomes de relevo da cultura local: Fernando Alvarenga, Leopoldino Serrão e Carlos Silva Carvalho. Num tempo em que a liberdade de expressão deixara de ser promessa para passar a ser realidade, a criação de uma publicação literária era também um gesto de afirmação cívica. A cultura assumia-se como espaço de reflexão e participação.

Paralelamente, as infraestruturas locais continuavam a ser objeto de atenção. A Comissão Administrativa do Concelho de Valongo deliberou dar continuidade às obras do Pavilhão Gimnodesportivo de Ermesinde, designadamente o fecho do recinto, a construção de balneários e a execução do pavimento. Num contexto de reorganização administrativa após o período revolucionário, a conclusão de equipamentos desportivos representava investimento na juventude e na qualidade de vida da população.

O associativismo desportivo e cultural mantinha-se ativo. Em fevereiro, a direção do Ermesinde Sport Clube e um grupo de amigos promoveram uma homenagem a Domingos Ferreira dos Santos, distinguido como “sócio de mérito” da Associação de Futebol do Porto. Era o reconhecimento público de um percurso ligado ao desporto, num tempo em que as coletividades desempenhavam um papel central na coesão social.

Mas foi na primavera que o pulsar democrático se tornou mais visível. A 25 de abril de 1976 realizaram-se as primeiras eleições legislativas sob a nova Constituição. Em Ermesinde, o Partido Socialista obteve 50% dos votos válidos, confirmando uma forte implantação local. O PPD (atual PSD) alcançou 24,3%, o CDS 14,4% e o PCP 7,7% (1.057 votos). As restantes forças políticas tiveram expressão residual. Estes resultados enquadravam-se numa tendência nacional de consolidação das principais forças partidárias democráticas.

Poucas semanas depois, por despacho do Secretário de Estado do Orçamento, foi criada em Ermesinde uma Delegação da Secção de Finanças, a funcionar nas instalações da Junta de Freguesia. A instalação deste serviço público traduzia o crescimento demográfico e económico da vila e reforçava a sua centralidade administrativa no concelho.

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O desporto voltou a dar projeção nacional a Ermesinde quando, nos dias 5 e 6 de junho, em Lisboa, o CPN se sagrou duplamente campeão nacional de ténis de mesa na categoria de Infantis, em equipas e em pares. Tratava-se de um feito relevante para um clube da terra, evidenciando a vitalidade da formação desportiva local.

Junho foi também mês de celebração para os Bombeiros Voluntários de Ermesinde, que assinalaram os 55 anos da sua fundação com a inauguração do novo quartel-sede. A efeméride foi acompanhada por um número especial de A Voz de Ermesinde, sinal da importância da instituição na vida comunitária. Os bombeiros eram, e continuam a ser, um dos pilares do associativismo local, combinando serviço público, voluntariado e dinamização cultural.

No plano nacional, 1976 trouxe ainda as primeiras eleições presidenciais após o 25 de Abril. Em Ermesinde, António Ramalho Eanes recolheu 6.923 votos, seguindo-se Pinheiro de Azevedo com 3.324, Otelo Saraiva de Carvalho com 1.911 e Octávio Pato com 476. Os resultados refletiam a polarização e as diferentes sensibilidades políticas emergentes no período pós-revolucionário, mas também a estabilização progressiva do regime democrático.

A vida cultural manteve-se intensa ao longo do verão e do outono. Em julho realizou-se um Sarau Musical no Salão dos Bombeiros, com a participação do conjunto popular ermesindense Maria Albertina, num espetáculo que reuniu público numeroso. Em setembro, a convite do Departamento de Convívio e Cultura dos Bombeiros, a Orquestra Sinfónica do Porto apresentou um concerto memorável, sob a direção do maestro Gunther Arglebe. A presença de uma orquestra sinfónica numa coletividade local é reveladora da ambição cultural que então se vivia.

O momento decisivo da consolidação democrática ocorreu, porém, a 12 de dezembro de 1976, com as primeiras eleições autárquicas do pós-25 de Abril. Pela primeira vez, os órgãos do poder local eram eleitos em liberdade. Na freguesia de Ermesinde estavam inscritos 15.405 eleitores; votaram 10.746 (69,7%), com 148 votos brancos e 140 nulos. Concorreram cinco forças políticas. O PS foi o partido mais votado, com 4.318 votos (43,18%) e seis mandatos. O PPD obteve 2.682 votos (quatro mandatos), o CDS 1.712 votos (dois mandatos), a FEPU 1.314 votos (um mandato) e os GDUP’s 432 votos, sem eleger representantes. Nesta eleição, em Ermesinde, seria eleita, pelo PPD, a primeira mulher para um órgão autárquico no concelho de Valongo, Maria de Fátima da Costa Magalhães Loureiro Dias.

Os GDUP’s – Grupos Dinamizadores de Unidade Popular – constituíam uma força política de inspiração

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Por: Manuel Augusto Dias

 

 

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