|
REFLEXÕES SOBRE ERMESINDE (10)
“Ermosindi”, “Hermisende ”, “Ermesende ”, “Ermezinde”, “Ermesinde” (parte 5)
(Continuação da saga dos Suevos)
Como já tínhamos referido anteriormente, antes do século I a. C., os suevos (ou Suebi) constituíam uma confederação de tribos germânicas na bacia do rio Elba (atual Alemanha e Chéquia), por isso era um nome associado a várias tribos pelos romanos, por exemplo: “… Suevorum Angilorum”; Suevorum Semnonum; Suevi Langobardi; Suevos Casuari, etc..., e são caracterizados como povos seminómadas, guerreiros e criadores de gado, conhecidos pelo “nó suevo”1 no cabelo. A principal tribo de suevos, Sémnones, era considerada a tribo mais antiga e nobre da confederação, e os Marcomanos, mas havia ainda os Quados, os Hermúnduros, os Tecneteros, os Longobardos que se orgulham do seu pequeno número (assim chamados por usarem grandes barbas) e outras tribos de menor dimensão, como refere Tácito na sua obra “Mais além, os marsignos, os gotunos, os osos e os búrios formam na retaguarda dos marcomanos e dos quados. Vê-se pelo trajo e pela língua que os marsignos e os búrios descendem dos suevos.”
Uma das caraterísticas específicas dos suevos é o nó suevo, que servia para diferenciar os homens livres dos escravos e de outras tribos germânicas. Entre os chefes e nobres, o nó era frequentemente mais elaborado para conferir uma aparência mais alta e imponente em batalha.
Em 75 a. C, os germanos chegam aos arredores de Moguntiacum sob o comando de Ariovisto2, onde eles atravessam o rio Reno em direção da Gália. Em 61 a.C., ouvindo o apelo dos aliados sequanos, os suevos passam o Reno e infligem uma dura derrota aos eduenos (representantes do “partidários pró-romanos” na Gália independente) sem que Roma lhes venha prestar auxílio. Ariovisto decide então estabelecer os seus 120 mil homens num terço do território de seus aliados sequanos (entre as atuais Alsácia e Franche-Comté), decisão imposta pela força na batalha de Admagetobriga (hoje La-Moigte-de-Broie, perto de Pontarlier).
Tentando controlar sua fronteira setentrional bastante vulnerável, numa tentativa de fazer conter e abrandar as turbas germânicas, Roma saúda Ariovisto em 59 a.C., dando-lhe o título de “rei e amigo do povo romano”.
Segundo Guillon, um historiador da Universidade de Provença, em Marselha, no século I a.C., o conquistador mais temido na Gália não se chamava Júlio César. Era Ariovisto, o rei dos suevos. “No norte, seu poder chegou a ponto de ser uma ameaça à influência de Roma na região”, afirma Guillon. Efetivamente, constituíam uma ameaça periódica contra os romanos no Reno, pressionando as fronteiras do Império Romano, movimentando-se para oeste, até que, ao atravessarem este rio, quebraram as defesas romanas e ocuparam a Alsácia, e desde lá a Baviera e a Suíça.
Júlio César entrou em ação a pedido dos sequanos para neutralizar Ariovisto que assolava a região. Seu objetivo era impedir por meio militar que o líder suevo implantasse, como era o intento dele, uma Gália Germânica na parte setentrional da França atual.
Os suevos foram derrotados perto de Besançon, na Alta Alsácia, na batalha de Vosges4. Vencido e ferido, Ariovisto consegue retirar para além do Rio Reno, graças a uma artimanha (descrita como de baixo nível pelos romanos) feita em Cernay.
Ainda segundo Júlio César (século I a.C.) na sua obra: “Commentarii de Bello Gallico”, este vai descrevendo as suas campanhas na Gália e Germânia (58 – 50 a.C.), e também vai descrevendo algumas características deste povo.
Eram conhecidos pela sua organização guerreira e, segundo relatos de Júlio César, deslocaram-se em direção ao Reno por volta de 58 a.C., posicionando-se como uma força militar significativa antes de migrarem para a Península Ibérica séculos mais tarde.
Embora hostis, existiam trocas comerciais e alianças pontuais com Roma, contudo, a memória da invasão de Roma pelos gauleses de Breno em 390 a.C. ainda influenciava a desconfiança romana. Nestas relações comerciais é tratado por César, o vinho. O vinho é mencionado nos Commentarii em duas ocasiões. No livro II, capítulo 15, ao descrever os Suevos, César relata:
“quorum de natura moribusque Caesar cum quaereret, sic reperiebat :nullum esse aditum ad eos mercatoribus; nihil pati vini reliquarumque rerum ad luxuriam pertinentium inferri, quod his rebus relanguescere animos eorum et remitti virtutem existimarent; esse homines feros magnaeque virtutis; increpitare atque incusare reliquos Belgas, qui se populo Romano dedidissent patriamque virtutem proiecissent; confirmare sese neque legatos missuros neque ullam condicionem pacis accepturos. (Caes. Gal. 2, 15).”
Que traduzindo fica:
“A investigação que César fez sobre o caráter e os costumes desse povo forneceu as seguintes informações: os comerciantes não tinham acesso a eles; não permitiam que se introduzisse vinho ou qualquer outro produto de luxo entre eles, considerando que isso amolecia suas almas e enfraquecia seu ânimo; eram homens rudes e de grande valor militar; acusavam os outros Belgas de graves críticas por se terem submetido a Roma e de terem perdido a virtude de seus ancestrais; afirmavam que, quanto a eles, não enviariam delegados nem aceitariam qualquer proposta de paz. (Caes. Gal. 2, 15).”
Após relatar as razões para a travessia do Reno pelos usípetes e tenctéres, que fugiram devido à guerra promovida pelos suevos, César descreve os suevos como um povo beligerante que enviava mil homens por ano para as guerras externas. Em seguida, César inicia um
(...)
leia este artigo na íntegra na edição impressa.
Nota: Desde há algum tempo que o jornal "A Voz de Ermesinde" permite aos seus leitores a opção pela edição digital do jornal. Trata-se de uma opção bastante mais acessível, 6,50 euros por ano, o que dá direito a receber, pontualmente, via e-mail a edição completa (igual à edição impressa, página a página, e diferente do jornal online) em formato PDF. Se esta for a sua escolha, efetue o pagamento (de acordo com as mesmas orientações existentes na assinatura do jornal impresso) e envie para o nosso endereço eletrónico ([email protected]) o nome, o NIF e o seu endereço eletrónico para lhe serem enviadas ao longo do ano, por e-mail, as 12 edições do jornal em PDF.
Mas se preferir a edição em papel receba comodamente o Jornal em sua casa pelo período de 1 ano (12 números) pela quantia de 13,00 euros.
Em ambos os casos o NIB para a transferência é o seguinte: 0036 0090 99100069476 62
Posteriormente deverá enviar para o nosso endereço eletrónico ([email protected]) o comprovativo de pagamento, o seu nome, a sua morada e o NIF.
Por:
Carlos Marques
|