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Edição de 28-02-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Cultura


NOTÍCIAS DA AGORÁRTE/UNIVERSIDADE SÉNIOR DE ERMESINDE

Universidade Sénior promoveu Noite de Cinema om exibição de A Herdade

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Nos dias 24 e 25 de fevereiro, o Auditório da Junta de Freguesia de Ermesinde foi palco de mais uma iniciativa cultural promovida no âmbito da disciplina de História Contemporânea da Universidade Sénior de Ermesinde (USE). Desta feita, a escolha recaiu sobre a exibição do filme A Herdade, numa sessão aberta não apenas aos estudantes da instituição, mas igualmente à comunidade ermesindense interessada na sétima arte.

Atendendo à duração significativa da obra, a organização decidiu dividir a projeção em duas partes, distribuídas por dias consecutivos. Esta opção permitiu uma visualização mais serena e atenta, favorecendo uma melhor compreensão da densidade narrativa e temática do filme.

Realizado por Tiago Guedes, A Herdade afirma-se como uma obra de grande amplitude dramática e simbólica. Mais do que a história de uma família proprietária de uma vasta herdade alentejana, o filme constrói um retrato alargado de Portugal ao longo de várias décadas. A narrativa percorre os últimos anos do Estado Novo, atravessa a Revolução de 25 de Abril e o período da Reforma Agrária, culminando na consolidação do regime democrático.

Ao acompanhar as profundas transformações sociais, políticas e económicas ocorridas no país, o enredo convoca temas como mudança, declínio, resistência e adaptação. Para muitos dos presentes, que viveram direta ou indiretamente esses tempos de rutura e redefinição, a projeção assumiu também um carácter evocativo. Para todos, constituiu uma oportunidade de revisitar o passado recente através da linguagem cinematográfica, que alia emoção, memória e reflexão.

Embora se trate de uma obra de ficção, o filme não deixa de oferecer uma leitura interpretativa de uma das fases mais complexas da história contemporânea portuguesa. Para além da dimensão política, a história centra-se nas dinâmicas familiares, explorando heranças que ultrapassam o plano material e se inscrevem no domínio afetivo e simbólico. O peso das decisões, os conflitos intergeracionais e as responsabilidades transmitidas ao longo do tempo surgem como eixos estruturantes da trama.

No final da exibição, realizou-se um momento de debate entre os participantes, incidindo sobre questões de natureza política, social, moral e laboral suscitadas pelo filme. A troca de impressões revelou-se particularmente enriquecedora, evidenciando o interesse e o espírito crítico da plateia.

Esta iniciativa traduziu-se num exercício coletivo de memória e reflexão, confirmando o cinema como instrumento relevante para compreender a História e interrogar o presente.

 

 

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