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ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE ERMESINDE
Extenso “caderno de encargos” colocado em cima da mesa pela Oposição na primeira sessão do novo mandato autárquico
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«Ermesinde é mesmo uma cidade muito grande e tenho aqui um caderno de encargos que só acabarei de responder, se me lembrar de tudo, amanhã». Foram palavras do presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde (JFE), Miguel de Oliveira, face à extensa lista de questões e alertas colocada(o)s pela Oposição naquela que foi a primeira sessão da Assembleia de Freguesia de Ermesinde (AFE) do mandato autárquico de 2025-2029, a qual decorreu na noite de 23 de dezembro passado. Temas como o trânsito caótico no centro da cidade – sobretudo – e a regularização do trânsito estiveram em cima da mesa no período de antes da Ordem do Dia, onde alguns grupos partidários com assento na assembleia aproveitaram para intervir. Carlos Mourão, eleito do PSD, seria o primeiro a usar da palavra, para entre outras questões recordar o problemático cruzamento junto à Escola do Carvalhal, local de muitos acidentes, sendo que na sua voz o facto de a Câmara Municipal de Valongo (CMV) ali ter colocado lombas na sequência de um alerta sobre este problema lançado nas redes sociais pelos social-democratas não resolveu nada. De acordo com Carlos Mourão, mesmo com lombas os carros continuam a circular a grande velocidade. O social-democrata questionou o presidente da Junta se este tinha tido algum feedback da CMV e se de facto iriam ou não ali ser colocados semáforos. Ainda no que concerne a trânsito, Carlos Mourão alertou para outro problema que acontece na Rua 5 de Outubro, mais concretamente junto ao Estádio de Sonhos, e que se prende com as lombas e os cones de sinalização ali colocados. De acordo com o membro da AFE, tal cenário, em dias de jogos, causa problemas de circulação, pois, na sua voz, quem vai assistir aos jogos por vezes estaciona metade do carro em cima do passeio e a outra metade na via pública, dificultando a passagem no local. «Qual foi o objetivo desta intervenção», questionou. Alertou ainda para o facto de os ossários antigos do cemitério nº 1 estarem a ter problemas de infiltrações de água. Ainda sobre este espaço, deixou o alerta para a humidade que existe na loja da venda de cera e de flores, e para o facto da porta das traseiras do cemitério se encontrar velha e precisar de ser substituída. Alertou ainda para um abatimento de piso na Rua de Luanda, problema que persiste há muito tempo.
Também Rui Fernandes Almeida, do CDS-PP, abordou o tema do trânsito e a mobilidade dentro da cidade. «É comum percebermos que as principais vias estruturantes da cidade estão sobrecarregadas pelo trânsito. O trânsito é hoje em dia um problema que nos afeta a todos. E o que acontece é que os condutores vão procurando vias alternativas para essas vias estruturantes para de alguma forma conseguirem fugir ao trânsito, o que leva a que vias que anteriormente tinham menos trânsito passem a ter mais utilização redundando muitas vezes em situações de perigo, de acidentes, como é o exemplo do tão propalado cruzamento da Escola do Carvalhal», disse este membro da AFE, que mais adiante questionou o presidente da Junta se este tinha conhecimento da falada instalação de semáforos neste cruzamento e se sim se havia existido algum contacto entre a CMV e a JFE para perceber se esta será a melhor solução para o local e se havia sido feito algum estudo sobre a implicação de semáforos na mobilidade da cidade. Ou então, em alternativa se se iria fazer uma experiência para ver se os semáforos no local terão utilidade ou não, como foi exemplo da aplicação de semáforos na Rua Manuel Joaquim Fernandes Santos, em que os semáforos estiveram ligados um dia e atualmente permanecem desligados, conforme disse o eleito do CDS-PP. Rui Fernandes Almeida deu ainda como exemplo a Rua da Costa, em que a dada altura se equacionou fazer daquela uma via pedonal e depois chegou-se à conclusão de que essa não era a solução, porque o trânsito não se compadecia de aquela ser uma via destinada a peões. Mais adiante na sua intervenção questionou o presidente da Junta se o plano que foi colocado à discussão pública pelo anterior executivo municipal sobre a alteração do trânsito de viaturas no centro da cidade tinha algum prazo previsto para implementação, ou se se pelo contrário ficará na gaveta.
Ainda em relação ao propalado cruzamento junto à Escola do Carvalhal, André Barbosa, do PSD, questionou Miguel de Oliveira se a colocação de semáforos no local seria a solução para o problema: «Não quer criar mais um fosso de problemas de trânsito na cidade pois não?», questionou o eleito do PSD. Entre outros assuntos colocados, André Barbosa questionou ainda o presidente da JFE se este tinha algum conhecimento sobre a requalificação do Estádio de Sonhos, que na sua voz havia sido uma promessa eleitoral.
Também Nuno Lobo, do Chega, abordou o cruzamento da Escola do Carvalhal, opinando que a colocação de lombas não tinha sido a solução para o problema. Alertou ainda para o pavimento do Largo das Oliveiras, que na sua voz é completamente irregular para os carros e motas que ali transitam, veículos estes que se deparam com pedras bicudas. Ainda sobre o mesmo largo disse que «chamar aquilo de Largo das Oliveiras quando as oliveiras que dizem que plantam lá e depois são roubadas, então era melhor pôr ali uma árvore maior, porque aquele largo serve apenas para estacionamento e não devia ser esse o propósito. Aquele largo é um espaço que não serve a comunidade e serve unicamente para estacionar carros», disse o eleito do Chega. Nuno Lobo deixou outros alertas, entre eles a falta de iluminação dos túneis da cidade, dando como exemplo o da Rua Rodrigues de Freitas; a falta de casas de banho públicas na cidade, dando o exemplo da Vila Beatriz, um espaço onde as famílias convivem e onde não existe um WC público; ou o mau estado das ruas de Moçambique e de Luanda, na Gandra, uma zona que na sua voz está depauperada e esquecida.
Findo este extenso e preenchido período de intervenção dos partidos, Miguel de Oliveira usaria da palavra para dar respostas. Quanto à colocação de lombas e cones de sinalização que foram colocados na Rua 5 de Outubro, o autarca admitiu que esta solução piorou o acesso ao estádio, acrescentando mais adiante que a JFE não havia sido consultada sobre a colocação destes equipamentos no local. «Imagino que cause algum constrangimento, mas o objetivo é regular a circulação de veículos, é regular o estacionamento e caberá às forças da autoridade agir de acordo com as suas competências, pois se há pessoas que estacionam em cima dos passeios são multadas, porque os passeios não são sítios para se estacionar veículos. Mas vou questionar a CMV se tem algum tipo de informação quanto à dificuldade de circulação no local», disse o presidente da Junta. Relativamente ao cruzamento junto à Escola do Carvalhal, Miguel de Oliveira informaria que na reunião da Assembleia Municipal ocorrida na véspera desta sessão da AFE, o presidente da Câmara havia lembrado que a colocação de semáforos no local havia sido um compromisso do anterior edil da autarquia. Contudo, isso não obstava de que fosse lá feito um estudo relativamente à alteração dos sentidos de trânsito, um estudo técnico para aferir do impacto real que essa alteração poderá ter numa cidade que na sua voz tem um problema: muito trânsito.
Ainda em resposta a Carlos Mourão, disse que no que diz respeito ao cemitério n.º1 está previsto para o próximo ano a substituição das telas dos antigos ossários e que a infiltração que acontece na loja da florista daquele espaço também será revista.
Quanto ao abatimento da Rua de Luanda, Miguel de Oliveira repetiu o que já disse em anteriores reuniões, ou seja, que no dia em que a CMV o questionar sobre que ruas devem ser intervencionadas em Ermesinde, a referida artéria estará à cabeça, pois considera que a rua carece de intervenções profundas. Aliás, o presidente da Junta mostrou-se certo que a requalificação das ruas por parte da Câmara será feita quando se estiver a discutir o Orçamento para 2026.
Respondendo depois a Rui Fernandes Almeida, na questão da Rua da Costa, afirmou não ter problema em dizer que a opção tomada para transformar (como está) aquela artéria não foi a mais feliz. «Mas eu não sou técnico, para dizer que se deveria tomar esta ou aquela opção», disse o presidente admitindo que ainda há muito a fazer para melhorar aquela rua e que iria questionar a autarquia se há alguma solução para corrigir o problema do trânsito que ali circula.
Miguel de Oliveira concordaria com Rui Fernandes Almeida sobre o excesso de trânsito na cidade, lembrando que a este propósito que as cidades, não só Ermesinde, quando foram desenhadas não havia tantos carros, sendo, portanto, este um desafio (e um problema) que todas as grandes cidades europeias têm na atualidade. Relativamente ao plano para alteração do trânsito de viaturas no centro da cidade, o presidente da Junta afirmou que o mesmo era importante ser revisto, não só para o centro da cidade como para a Gandra.
Dirigindo-se posteriormente a Nuno Lobo discordaria com o eleito do Chega sobre a apreciação que este fez do Largo das Oliveiras. «Discordo que o largo só sirva para estacionamento, porque conheço a realidade do comércio local, conheço a realidade da Igreja do Bom Pastor, e quero desde já agradecer aos comerciantes que todos os meses se disponibilizam para naquele largo organizarem e participarem em feirinhas que lá se vão organizando. É um largo muitas vezes utilizado e nós precisamos desses espaços, onde o comércio possa sair à rua, e ali tem resultado muito bem esta sinergia entre o comércio local e a Igreja do Bom Pastor. Quanto ao piso, foi o piso que resultou de uma opção do projetista. Não me parece, e é bom que assim seja, que a cidade esteja toda coberta de alcatrão, pois estaríamos a diminuir a capacidade de infiltração das águas no solo. Mas posso ver com mais cuidado essas pedras bicudas de me falou», disse o autarca.
Quanto ao facto de Nuno Lobo ter designado a zona da Gandra como depauperada e esquecida, Miguel de Oliveira disse que sempre que alguém lhe fala em zonas pobres de Ermesinde refere a sua própria experiência, em que viveu mais de 30 anos numa zona chamada Sampaio, que na sua voz é a zona mais rural da cidade. «Não gosto de me referir ao lugar da Gandra como zona pobre e esquecida. A Gandra é um lugar que fruto de uma pressão muito grande nas décadas de 50 e de 60 para a construção de casas, foi de facto construída sem que houvesse grande planeamento urbanístico». Quanto à falta de iluminação nos túneis da cidade, informaria que relativamente aos túneis da Gandra e do Colégio de Santa Joana é um assunto que está resolvido, sendo que também sobre o túnel da Choca tem sido dito por vários fregueses que o mesmo está muito melhor.
Quanto à requalificação do Estádio de Sonhos, lembraria que esse é um compromisso da CMV, e «tenho a certeza que também sobre esta matéria se irá falar quando estivermos a discutir o Orçamento (da Câmara) para 2026, não sabendo ainda se é uma obra que irá começar em 2026, mas que terá de começar durante o mandato».
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