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Edição de 30-11-2025
Jornal Online

SECÇÃO: Local


Portalegre acolheu o 4.º aniversário do MCD/GRIC

Lembrada a entrega do concelho de Ermesende a Espanha em 1668

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O Movimento de Cidadania Democrática/Grupo de Reflexão e Inovação para a Cidadania (MCD/GRIC) assinalou, no passado dia 15 de novembro, o seu 4.º aniversário, numa jornada realizada na Casa da Urra, em Portalegre. O encontro reuniu participantes vindos de várias regiões do país (de Freixo de Espada à Cinta a Elvas), o que evidencia a crescente implantação nacional deste movimento cívico dedicado ao estudo, debate e dinamização de iniciativas ligadas à cidadania.

A sessão integrou-se no ciclo de conferências “Identidade, Território e Memória”, linha orientadora que tem marcado a atividade do MCD/GRIC ao longo da sua existência, com dezenas de encontros dedicados à reflexão sobre os desafios contemporâneos do país, particularmente no que diz respeito às regiões menos visíveis no debate público.

NOVOS CORPOS GERENTES TOMAM POSSE

O evento começou com a tomada de posse dos novos corpos sociais da associação. Integraram a Direção, como membros efetivos, Fernando Vítor Ladeira Pereira (presidente), Carlos Aníbal Marques de Magalhães (vice-presidente), Hirondino Manuel Lopes Isaías (vice-presidente), Celso Filipe Monteiro Ferreira (secretário) e Armando dos Santos Maia (tesoureiro).

Foram ainda empossados Artur Jorge Cordeiro como presidente da Assembleia Geral e Anabela Costa Tinta Fina Cartas como presidente do Conselho Fiscal.

O acolhimento inicial esteve a cargo de Liliana Ferreira, seguindo-se a moderação de Carlos Magalhães e Anabela Cartas. A abertura formal da conferência foi conduzida por Elvira Callapez, em representação do Conselho Ético-Científico. A sessão contou também com um momento musical protagonizado por António Eustáquio, intérprete de Guitolão, instrumento associado à tradição musical alentejana.

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REFLEXÕES SOBRE O PAÍS REAL

Ao longo da tarde e início da noite, apresentaram comunicações Celso Monteiro, Marcelino Marques, Ana Sofia Lopes, António Arruda, Jorge Canhoto, Joaquim Afonso, Pina Prata, Manuel Dias, Luís Gaça, Paulo Alves, João Adrião, Joaquim Couto, Artur Cordeiro, Humberto Rocha, Armando Maia e Pinheiro de Castro que muito contribuíram para um debate plural em torno das questões estruturantes da sociedade portuguesa.

A diversidade de temas e abordagens reforçou o propósito central do MCD/GRIC: pensar Portugal a partir das suas margens, dando voz aos territórios periféricos e às comunidades que muitas vezes ficam afastadas das instâncias centrais de decisão política e cultural.

GUERRAS DA RESTAURAÇÃO E UMA NOTA HISTÓRICA SOBRE ERMESENDE

Entre as comunicações apresentadas, fazemos referência à intervenção de Manuel Dias, com responsabilidades pelo tema da História, no Grupo de Reflexão e Inovação para a Cidadania (GRIC), que abordou o tema das Guerras da Restauração (1640–1668), o mais longo conflito militar da história de Portugal. A partir de exemplos concretos ocorridos no Alto Alentejo, sublinhou o papel estratégico da região de Portalegre no esforço defensivo português após a restauração da independência, destacando a mobilização de efetivos, a reorganização das fortalezas e a importância logística deste território na guerra contra a Monarquia Hispânica.

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Recordou ainda o Tratado de Paz de Lisboa, firmado a 13 de janeiro de 1668, o documento que pôs fim ao prolongado conflito e consolidou, de forma definitiva, a autonomia portuguesa. Foi neste enquadramento que destacou uma curiosidade histórica pouco divulgada: a menção, no articulado final do tratado, ao antigo concelho de Ermesende, que, a partir dessa data, passou a integrar o Reino de Espanha. Já o caso de Ceuta, cidade norte-africana que se manteve fiel à Coroa espanhola após 1640, é amplamente conhecido, tendo sido igualmente reconhecido como território espanhol no pós-guerra. A referência específica a Ermesende, situada apenas a cerca de dois quilómetros da fronteira portuguesa (30 km a noroeste de Bragança e a cerca de 200 km da sua homónima Ermesinde), despertou particular atenção entre os presentes, dada a raridade de tal menção num documento diplomático desta relevância.

QUATRO ANOS DE ATIVIDADE CÍVICA E COMPROMISSO

A comemoração do 4.º aniversário do MCD/GRIC decorreu num ambiente de proximidade, debate e convívio, traduzindo o espírito fundacional do movimento: promover a cidadania ativa, estimular a reflexão crítica e criar espaços onde diferentes vozes e territórios se sintam representados.

O MCD/GRIC reafirmou a intenção de continuar a realizar iniciativas em várias regiões do país, reforçando a participação de cidadãos e instituições locais e contribuindo para uma visão mais equilibrada e inclusiva de Portugal.

 

 

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