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Edição de 31-05-2026
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    Arquivo: Edição de 31-10-2025

    SECÇÃO: Cultura


    MIT regressa à agenda cultural do concelho com uma nova alma

    Após um breve interregno, a Mostra de Teatro Internacional (MIT) está de volta! Este ano, e naquela que é a sua 26.ª edição, o evento surge com uma nova abordagem artística e identidade programática sob a designação de Círculo MIT Valongo. Com produção da companhia Cabeças no Ar e Pés na Terra, e com o apoio da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Valongo, o tema “O Onírico” orienta a programação da Mostra, explorando a fronteira entre o real e o imaginário, um território onde teatro e vídeo se fundem, ampliando horizontes estéticos e sensoriais. Companhias de teatro de Portugal, Espanha, França, Bélgica, Escócia e Estados Unidos da América integram esta jornada de pesquisa interdisciplinar, promovendo um intercâmbio global de estéticas e narrativas.

    O Círculo MIT Valongo arrancou no passado dia 24 de outubro, e prolonga-se até ao próximo dia 2 de novembro, e tem como palco o Centro Cultural de Campo.

    O nosso jornal acompanhou os dois primeiros dias do evento, trazendo a esta edição três das cinco peças que estiveram em cena no primeiro fim-de-semana do evento, as quais passamos a descrever em baixo. (Nota: devido ao fecho da presente edição coincidir na mesma altura com alguns dos espetáculos seguintes da Mostra, contamos trazer a “segunda parte” da MIT – dias 29 e 31 de outubro, e dias 1 e 2 de novembro – no próximo número)

    Fotos MIT
    Fotos MIT
    Uma pintura de Kandinsky em movimentos imaginativos

    O arranque do Círculo MIT Valongo 2025 deu-se, na noite de 24 de outubro, em francês, em que a Compagnie Choc Trio ofereceu uma visualização da obra do pintor Wassily Kandinsky assente numa linguagem cénica inspirada no teatro gestual, visual e musical. Esta peça, intitulada “Prélude en Bleu Majeur” e que fez a sua estreia em Portugal, começa por nos mostrar a personagem de Monsieur Maurice preso a uma vida quotidiana a preto e branco, um mundo com uma estética branda onde a fantasia e as cores estão ausentes. De repente, surgem novos elementos sonoros e visuais coloridos que parecem ter saído de uma pintura abstrata de Kandinsky, que se materializam e libertam a criatividade da personagem, transformando uma vida ordinária em extraordinária, onde a imaginação ganha asas entre a mímica e as artes visuais neste mundo excêntrico e burlesco de Monsieur Maurice. Um mundo que passa a ser povoado por formas, cores e aparições virtuais saídas das obras de Kandinsky. Em suma, esta peça como que levou a plateia a contemplar um conjunto de pinturas abstratas do famoso pintor russo através da sublime mímica de Claude Cordier (ator que vestiu a pele da personagem Monsieur Maurice).

    Ficha artística:

    Interpretação: Claude Cordier (Monsieur Maurice)

    Escrita e cenografia: Claude Cordier e Priscille Eysman

    Encenação: Priscille Eysman

    Criação vídeo: Christoph Guillermet

    Composição musical e criação sonora: Gilles Bordonneau

    Jogo e Cosmos: Vale´ry Rybakov

    Desenho de luz: Dominique Grignon

    Figurinos: Coline Dalle

    Créditos fotos: Doumé e Florent Mailly.

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    A memória científico-emocional de um momento histórico da Humanidade

    Na segunda noite da MIT a sala de espetáculo do Centro Cultural de Campo foi pequena de mais para presenciar o multi-premiado (a nível internacional) espetáculo “Laika”. A peça foi-nos trazida pela companhia espanhola Xirriquiteula Teatre, que nos levou a viajar ao longo de uma hora por um acontecimento histórico e marcante da Humanidade: em 1957 a União Soviética lançou uma cadelinha chamada Laika ao espaço, a qual entrou para a história como o primeiro ser vivo a orbitar a Terra.

    Nesta peça, a companhia espanhola deixou de lado as palavras, retratando teatralmente esta história baseada em factos reais combinando técnicas tão diversas como as retroprojeções criadas ao vivo, as marionetas, sombras, os autómatos, a voz-off e a atuação de personagens que falam um russo inventado. “Laika” é também uma história de afetos e de abusos por uma cadelinha sem dono que deambulava pelas frias ruas de Moscovo até ser escolhida por cientistas soviéticos para se transformar no primeiro cão astronauta. De afetos porque no meio da ciência há quem se ligue a Laika de uma forma carinhosa e que perceba o perigo em enviá-la para o espaço a bordo da nave espacial Sputnik II, e de abusos porque o interesse da ciência é sobreposto à vida do pobre animal que acabaria por morrer algumas horas após o lançamento do satélite.

    Por um lado, “Laika” é um espetáculo que nos mostrou a grandeza da ciência espacial, mas por outro mostra-nos as injustiças da Terra em benefício dessa mesma ciência.

    Ficha Artística:

    Criação e Dramaturgia: Enric Ases, Marc Costa, Christian Olivé,

    Daniel Carreras, Iolanda Llansó (criação coletiva)

    Direção cénica: Enric Ases

    Cenografia e adereços: Marc Costa

    Figurinos e adereços: Iolanda Llansó

    Projeções: Christian Olivé

    Iluminação e espaço sonoro: Daniel Carreras

    Música original: Albert Joan

    Efeitos sonoros: Edgar Vidal (Vidal 2 FX)

    Edição e produção da banda sonora: Jero Castellà

    Produção e distribuição: Obsidiana

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    A magia dos hologramas em pequenas peças de teatro

    Ao longo da tarde do dia 25 pudemos contemplar um conjunto de pequenas peças (de 10/15 minutos cada) onde um ator-manipulador interage com objetos holográficos. “Inner World”, assim se denominaram estes espetáculos de marionetes holográficas, digamos assim, que nos foram exibidas pela Companhia Haloqué, de Espanha. A ação passa-se dentro de um pequeno teatro de madeira, onde objetos holográficos ganham vida e contam histórias que despertaram a imaginação de cada um de nós. “Inner World” foi a combinação perfeita entre as artes performativas e as novas tecnologias.

    Ficha Artística:

    Ideia original e direção: Diego Caicedo

    Apoio de criação: Xavier Bobé (teatro de objetos)

    Direção artística: Maite Ojer

    Intérprete: Diego Caicedo

    Técnica e programação digital: Sergio Sisques

    Criação dos hologramas: Diego Caicedo

    Cenografia: Diego Caicedo

    Figurinos: Diego Caicedo

    Música: Diego Caicedo

    Ilustração e design gráfico: Diego Caicedo

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    Por: MB

     

     

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