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ENCONTRO DE CULTURAS (7)
usto Takayama Ukon: primeiro Samurai beatificado, no Japão (parte 1)
Em 2017, a Igreja Católica beatificou, pela primeira vez, um samurai japonês, gesto que marcou profundamente a história do Cristianismo no Japão e a memória de uma época de intensa perseguição religiosa. Trata-se do daimio de Takatsuki, figura de relevo social e militar que, no século XVII, abraçou a fé cristã com tal convicção que pagou por ela com o exílio. Expulso do seu território por se recusar a renegar a nova fé, foi enviado para as Filipinas, onde faleceu apenas 40 dias após a chegada, consumido pelo desgosto. O seu testemunho de fidelidade tornou-se símbolo de resistência espiritual e de santidade silenciosa. A cerimónia da beatificação, a que assisti pessoalmente, decorreu no imponente Hall da Cidade de Osaka – a segunda maior metrópole japonesa, com 10 milhões de habitantes – e reuniu milhares de fiéis num momento de emoção e justiça histórica. Este artigo propõe-se recordar o percurso singular deste mártir samurai e o significado mais profundo da sua elevação aos altares.
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A 7 de fevereiro de 2017, Justo Takayama Ukon, conhecido como o “Samurai de Cristo”, no Pavilhão do Castelo de Osaka (Japão) em celebração presidida pelo cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e concelebrada por todos os bispos japoneses, pelo cardeal Tagle de Manila e por representantes do episcopado da Coreia do Sul, Vietname e Camboja, assim como por mais de três centenas de sacerdotes, japoneses e estrangeiros, aos quais se juntaram cerca de 12 mil fiéis. De Portugal, concelebraram o superior da Boa Nova, P. Adelino Ascenso, o P. Marco Casquilho, pároco de Sennan (Osaka), o P. Farias também da Boa Nova e o P. Domingos Areais. Foi uma grande festa para a Igreja japonesa, mais significativa ainda pelo facto de Justo Takayama Ukon ter sido o primeiro japonês a ser beatificado individualmente, enquanto confessor da fé cristã.
Grandes missionários portugueses tomaram parte na evangelização do Japão no século XVI e princípios do século XVII até ao início da grande perseguição que remeteu os cristãos japoneses, juntamente com os seus missionários para o martírio ou para a penumbra como se pode ver no filme “Silêncio” de Martin Scorsese, baseado no romance homónimo do escritor católico japonês Shusaku Endo (1923-1996), publicado em 1966 pouco depois do encerramento do concílio Vaticano II.
Filme, que no dizer de Mons. Isao Kikuchi, bispo de Niigata e presidente da Cáritas japonesa (atualmente cardeal arcebispo de Tóquio) “ensina que a misericórdia de Deus não abandona jamais os homens, que são sempre frágeis e débeis”, acrescentando: “É, na verdade, uma oportunidade importante para refletirmos. Pode observar-se a realidade de dois ângulos: por um lado, a
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Por:
P. Domingos Areais
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