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Rio Onda
Caminho ao longo do passadiço sinuoso da costa marítima, somente, para não perder o nevoeiro que caiu sobre o mar, galgando a areia em direção á terra. Retenho-me, sem cálculo de tempo a fotografar na areia húmida os barcos de cores diversas, em descanso da labuta diária. Um ou outro, em parte comidos pelo intenso nevoeiro que empresta a este quadro de aspeto bíblico, a imagem de algo que foi subtraído como quando em um mar tempestuoso.
Na água toldada de névoa, escassas pessoas banham-se o que completa a beleza daquela imagem. Quadros naturais criados num ápice ao longo do Caminho: no rio Onda as gaivotas banham-se e sacudindo suas penas, ensaiam um perfeito show aquático. Os patos com a serenidade que lhes é própria, pavoneiam-se, não sabendo que atrás dos seus corpos, belos desenhos do arrastar da água os seguem. Seus filhotes em carreirinha, mantêm o ritmo e os trejeitos da progenitora. Neste quotidiano aprendem os meios de sobrevivência, a orientação do melhor rasto a seguir, evitando os perigos.
Que bela é a natureza! Sentimos vergonha perante tantos e belos atributos e ainda mais pelo pouco respeito que por ela mostramos, afinal trata-se da nossa sobrevivência. A comprovar tal fato este belo Rio tem sofrido várias agressões que o mutilam, comprometendo a segurança dos seres vivos que o habitam e visitam. Descargas de resíduos de natureza orgânica, são de uma forma intermitente, lançadas para o seu leito sem dó nem piedade, causando a morte de peixes e aves marítimas com consequente interdição das praias de Labruje e Angeiras. As gaivotas já não se arriscam a banhos, os patinhos onde andarão? Apenas corpos mortos de pássaros e aves marítimas na foz do rio.
Com coração espremido, minhas passadas alongam meu caminho e aqui estou eu numa esplanada em Labruje.
A névoa embacia o meu olhar lá longe, sobre o mar. Tudo ferve, como o calor que impregna o ar. Esplanada repleta de pessoas que aproveitam o fim de tarde para descontrair, misturando-se com o infinito e o cheirinho a algas. O nevoeiro não desiste, teima em se tornar bruma, há um barulho no ar parecendo um burburinho combinado que sai de todas as mesas, cordato e rítmico como se quisesse fazer um teatro de palavras e de gestos.
Ali, uma mesa ocupada pela solidão e o silêncio. É numa praça cheia, num café superlotado que o silêncio se exacerba apoderando-se dos nossos quebrantes. Fixo meu olhar e sigo a
(...)
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Por:
Eugénia Ascensão
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