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A Grande Extinção
O sol iniciava o percurso descendente sobre a área agrícola que será conhecida, sessenta e seis milhões de anos depois, por Lourinhã. Alddina, inquieta, mantinha quentes as fatias de ovos de anquilossauro com caules tenros de rhynia, na esperança da chegada iminente de Albbano. A certa altura, resolveu pedir ajuda ao filho.
Na exploração pecuária, Alccino não viu a silhueta imponente do pai, um parassaurolofo corpulento, mas um pouco dobrado pela idade. Na chocadeira central, os funcionários disseram que ficara abatido quando soubera de mais três eclosões goradas.
Veio-lhe à memória outro episódio de há muitos anos, quando uma epidemia lhe matara dezenas de torossauros. Nessa altura, foram descobri-lo amodorrado numa enorme rocha lisa virada ao sol do oeste. Alccino tomou a vereda e foi encontrar o pai, também desta vez, alapado na Pedra do Poente em grande prostração. A crista, habitualmente alaranjada, era agora cinzento-esverdeada.
- Então, pai! Não fiques assim! São só mais três ovos gorados.
Comunicou com a mãe a sossegá-la e continuou a tentar animar o pai, com argumentos racionais. Finalmente, Albbano começou a falar em voz baixa, pausadamente.
- Não são só mais três ovos gorados, filho, nem só mais uns animais mortos! Nós estamos a extinguir-nos. O ambiente está envenenado com os compostos de irídio que servem para tudo. As crias não conseguem romper a casca. Está cada vez mais dura e inquebrável. E não é só com os animais. Também para tu nasceres houve que quebrar a casca artificialmente. Nós, os parassaurolofos, já só nascemos de crustatomia. Se não fossem os cuidados obstétricos, desaparecíamos. O panorama geral é preocupante. Todos os anos se extinguem muitas espécies para sempre.
Calou-se, a ganhar alento. Alccino respeitou-lhe o silêncio.
- A destruição da vida no planeta, tal como a conhecemos, está a tomar proporções gigantescas. Já houve outras épocas da Terra com indícios semelhantes e que resultaram em enormes extinções. A maior foi há 185 milhões de anos, que fez desaparecer 96% das espécies marinhas e 70% das terrestres. Devido à gravíssima situação que atravessamos, os cientistas já falam na Extinção em Massa do Cretácico, a época atual, ou a Quinta Extinção. Estão registadas cerca de oitocentas espécies que se extinguiram nos últimos quinhentos anos, mas, como a maioria não está documentada, os cientistas calculam que é mais provável que se tenham extinguido entre vinte mil e dois milhões de espécies, só no último século. E, tendo em conta os limites do conhecimento atual, a taxa anual de extinção pode chegar às 140.000 espécies. Estamos no limiar da catástrofe.
Alccino agachou-se, abatido pela força terrível dos números.
- Mas, pai - reagiu -, isso não são só teorias malucas de tipos que veem um mosquito e lhes parece um alamossauro?
- Não, Alcci, quem afirma que a extinção atual é um facto são cientistas conceituados entre os seus pares. Dizem que somos nós, a espécie dominante, que estamos a provocar a extinção em curso. Com a caça intensiva, a introdução de
(...)
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Por:
Joaquim Bispo
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