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NOTÍCIAS DO CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE
Juventude em Ação e Diálogo Cultural
Participei no Erasmus+ e vivi uma experiência única de intercâmbio cultural e participação democrática pela primeira vez.
O Erasmus+ é um programa promovido pela União Europeia com o objetivo de apoiar a educação, a formação de jovens e o desporto na Europa. Recentemente, tive a oportunidade de participar pela primeira vez num programa Erasmus e posso afirmar que foi uma experiência verdadeiramente marcante. Não só pelas vivências que tive, mas também pelas discussões que surgiram, novas perspetivas que emergiram e, acima de tudo, pela troca cultural — ou, se preferirem, pelo genuíno “intercâmbio cultural”.
O tema do programa em que participei centrou-se na democracia, na participação da juventude e no papel das redes sociais nesse processo. As atividades, muitas delas realizadas de forma lúdica, tinham objetivos bem definidos: integrar os jovens nas questões políticas e estimular o desenvolvimento do pensamento crítico.
Falando agora da minha experiência pessoal, destaco, sem dúvida, o “intercâmbio cultural” como o ponto alto da minha participação. Sendo um jovem brasileiro a envolver-me nas questões políticas europeias, foi algo completamente novo para mim. Tive a oportunidade de observar, quase em primeira mão, como os diferentes países participantes lidam com dinâmicas políticas distintas, mas com muitos pontos em comum. Isso também me permitiu compreender melhor a complexidade da democracia.
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Embora o tema da democracia seja frequentemente visto como algo denso ou até entediante, os workshops em que participei tornaram-no acessível e fácil de entender, permitindo-me perceber as várias dimensões que a democracia abrange. O que mais me marcou foi uma atividade elaborada pelo grupo ucraniano. A atividade consistia em cada equipa representar um país com as suas peculiaridades e, com base nessas características, o grupo deveria escolher a melhor forma de se posicionar perante adversidades apresentadas, de acordo com as opções disponíveis. Cada escolha afetava diretamente os “pontos de vida” da democracia e da estabilidade, muitas vezes uma sendo oposta à outra. A dinâmica revelou, através de um simples jogo, que as situações nem sempre são preto no branco, levando as equipas a tomarem decisões difíceis. No final do jogo, alguns países haviam entrado em colapso, outros deixaram de ser democracias e passaram a ser regimes autoritários, todavia, o mais impressionante foi o facto de que um grupo conseguiu não só manter-se, como aumentar os pontos de democracia e estabilidade.
O que tornou esta experiência verdadeiramente enriquecedora foi a “partilha humana” que se deu entre os participantes. Estávamos todos ali, não apenas para discutir política, mas para compreender como diferentes culturas e histórias de vida influenciam as nossas perceções e ações no campo político. Foi um encontro de ideias, de valores, de diferentes formas de ver o mundo. Através das atividades e das discussões, pude perceber como a juventude pode ser um motor de mudança, desde que esteja disposta a ouvir, aprender e, mais importante ainda, a questionar. Esta partilha não se limitou apenas ao contexto académico, ela teve um impacto profundo nas relações pessoais que construí durante o programa.
Por isso, se tiveres a oportunidade de participar num programa Erasmus+, não hesites. O que se aprende não está apenas nos workshops ou nas aulas, mas na vivência quotidiana, nas trocas culturais e nas amizades que se constroem. Participa, porque a experiência é única e transformadora.
Marcelo Damasceno - Voluntário do Corpo Europeu de Solidariedade, projeto MOVE, Centro Social de Ermesinde
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