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Edição de 28-02-2026
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    Arquivo: Edição de 31-07-2025

    SECÇÃO: Crónicas


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    “Conversas ao Entardecer com Odin”

    É mais um fim de tarde. A luz solar alterou-se para cores mais quentes. No horizonte, já deu entrada uma luminosidade amarela-alaranjada. A alvéola percorre curtos espaços rapidamente à procura de insetos; a noite já não tarda. O melro, há algumas horas, já está no seu posto, no ramo mais alto da jacarandá, com o seu belo canto aflautado. Passam por mim e pelo meu companheiro pessoas quase robóticas, depois de um dia de trabalho cansativo, a caminho do lar. Pouca ou nenhuma importância temos, estando sentados num dos bancos de cimento existentes no parque. Quase, quase invisíveis.

    Um petiz tenta chamar a atenção do seu pai:

    – Pai… Pai…

    Mas este tem algo mais importante a ver. Passo lento e seguro. Olhos postos no telemóvel. O filho bem tenta chamar a si a sua atenção, arrasta o triciclo de plástico endurecido pelo chão, corre e tropeça, chama pelo pai. O meu companheiro questiona-me com o olhar. Não resta alternativa ao petiz senão levantar-se e correr para junto do pai.

    Haverá algo mais importante do que a atenção a um filho? Haverá? Pelo que me apercebi, infelizmente há. Não sei o quê, mas há.

    – Desculpe, posso fazer uma festinha?

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    – Claro que sim.

    – Tão meiguinho e que fofinho tu és.

    Sabe, também tive um, ainda o meu marido era vivo. Não saía de junto dele. Também era assim meigo. Morreu de saudades, quando ele faleceu. Eu bem o levava ao veterinário, mas não consegui. Uma saudade… O senhor desculpe-me por estar a contar isto. Era a minha companhia, agora não tenho ninguém. Desculpe-me. Estime-o, que bem merece. Tão bonito e meiguinho.

    A cor alaranjada do céu tornou-se vermelho-escuro. O melro continua com o seu canto, mas poucas pessoas que passam o ouvem. O meu companheiro abana a cauda em movimentos rápidos.

    Aproxima-se um grupo de crianças:

    – Ele morde?

    Não consigo evitar a idiotice e digo:

    – Claro que sim. Não vês que parece um leão? É uma fera que só quer mimos.

    Rodeiam-no. Afagam o seu pelo e ele, em agradecimento, lambuza-os a todos. Uns riem, outros e outras nem por isso.

    – Posso ficar com ele? Como se chama?

    Eu lá vou respondendo, meio a

    (...)

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    Por: Manuel Fernandes

     

     

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