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“Conversas ao Entardecer com Odin”
É mais um fim de tarde. A luz solar alterou-se para cores mais quentes. No horizonte, já deu entrada uma luminosidade amarela-alaranjada. A alvéola percorre curtos espaços rapidamente à procura de insetos; a noite já não tarda. O melro, há algumas horas, já está no seu posto, no ramo mais alto da jacarandá, com o seu belo canto aflautado. Passam por mim e pelo meu companheiro pessoas quase robóticas, depois de um dia de trabalho cansativo, a caminho do lar. Pouca ou nenhuma importância temos, estando sentados num dos bancos de cimento existentes no parque. Quase, quase invisíveis.
Um petiz tenta chamar a atenção do seu pai:
– Pai… Pai…
Mas este tem algo mais importante a ver. Passo lento e seguro. Olhos postos no telemóvel. O filho bem tenta chamar a si a sua atenção, arrasta o triciclo de plástico endurecido pelo chão, corre e tropeça, chama pelo pai. O meu companheiro questiona-me com o olhar. Não resta alternativa ao petiz senão levantar-se e correr para junto do pai.
Haverá algo mais importante do que a atenção a um filho? Haverá? Pelo que me apercebi, infelizmente há. Não sei o quê, mas há.
– Desculpe, posso fazer uma festinha?
– Claro que sim.
– Tão meiguinho e que fofinho tu és.
Sabe, também tive um, ainda o meu marido era vivo. Não saía de junto dele. Também era assim meigo. Morreu de saudades, quando ele faleceu. Eu bem o levava ao veterinário, mas não consegui. Uma saudade… O senhor desculpe-me por estar a contar isto. Era a minha companhia, agora não tenho ninguém. Desculpe-me. Estime-o, que bem merece. Tão bonito e meiguinho.
A cor alaranjada do céu tornou-se vermelho-escuro. O melro continua com o seu canto, mas poucas pessoas que passam o ouvem. O meu companheiro abana a cauda em movimentos rápidos.
Aproxima-se um grupo de crianças:
– Ele morde?
Não consigo evitar a idiotice e digo:
– Claro que sim. Não vês que parece um leão? É uma fera que só quer mimos.
Rodeiam-no. Afagam o seu pelo e ele, em agradecimento, lambuza-os a todos. Uns riem, outros e outras nem por isso.
– Posso ficar com ele? Como se chama?
Eu lá vou respondendo, meio a
(...)
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Por:
Manuel Fernandes
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