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Edição de 28-02-2026
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    Arquivo: Edição de 31-07-2025

    SECÇÃO: Crónicas


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    As mulheres da Lomba

    As mulheres da Lomba são o amparo da casa. Robustas e determinadas, ganharam admiração e proteção das deusas primordiais. São vistas desde sempre a carregar pesos à cabeça. Em grupo, em rancho. Decididas, caminhando e equilibrando os carregos, balançando as ancas cheias. Como os deuses gostam de contemplar o seu caminhar!

    Na década de 40, era comum vê-las a carregar caldeiros cheios de pedras com volfrâmio, enquanto os homens manejavam as enxadas a esburacar terrenos, e as picaretas a desfazer calhaus, um pouco por todos os montes das redondezas. Elas enchiam as vasilhas, punham-nas à cabeça e, tenteando o peso, oscilando as ancas, em filas espontâneas, pelo meio dos pinheiros, dos matos, das pedras, por fim, por veredas, carregavam-nas até pontos combinados, aonde as mulas podiam chegar. Iam e vinham lançando um ou outro canto com temática religiosa, mas reconforto pagão. Por vezes, Atena apiedava-se do esforço brutal das suas amadas lombenses e, disfarçada como uma delas, ajudava-as, sem que o percebessem. De etapa em etapa, o minério lá acabava por chegar aos Aliados. E aos Nazis. O comércio não tem ideologia.

    Acabada a II Guerra já ninguém queria saber do volfrâmio. As mulheres da Lomba voltaram ao trabalho sazonal nas grandes planuras a sul da serra da Gardunha, por conta de proprietários ou rendeiros. Deméter, disfarçada como uma delas, imiscuía-se amiúde no rancho, aliviando os penares da lida campestre.

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    Descalças, regavam milheirais, dobradas, apanhavam extensões de feijão frade, à cabeça, ajudavam a transportar a produção para as tulhas ou para a eira, onde se descamisavam e malhavam as maçarocas e se limpava o grão.

    Se houvesse luar e trabalho na eira, era certo que Zeus, Dioniso ou outro deus igualmente lúbrico incentivasse os cantares e as danças, disfarçado de ganhão ou pastor. Sileno não perdia uma desfolhada. E um beijo ou outro não desonra ninguém.

    Iam à terra no sábado à tardinha e voltavam segunda ao alvorecer. Uma cesta à cabeça, umas atrás das outras. Cantando, galhofando. Como os deuses gostam do balanço das suas ancas!

    Na década de 60, os namorados foram combater para África, os maridos foram trabalhar para França. Algumas foram com eles. A salto. Malas à cabeça. As que ficaram amanharam-se como puderam. Rezavam, teciam, tratavam de uma horta, iam à lenha. Traziam os molhos à cabeça. Os faunos dos pinhais gostavam de as ver calcorrear veredas. Meneando as ancas.

    Na década de 70, acreditaram na mudança prometida. Ouviram os militares, os políticos, fizeram reivindicações, conseguiram um

    (...)

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    Por: Joaquim Bispo

     

     

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