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Edição de 30-11-2018
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    Arquivo: Edição de 28-02-2018

    SECÇÃO: Destaque


    DOSSIÊ LINHA DE LEIXÕES

    Reabertura da Linha de Leixões (com ligação a Ermesinde) ao serviço de passageiros está em cima da mesa

    A reabertura do serviço ferroviário de passageiros entre Leixões e Ermesinde foi tema que dominou atenções ao longo deste mês de fevereiro no seio da nossa comunidade. O assunto veio à discussão na sequência de uma proposta apresentada pelo grupo parlamentar do PCP na Assembleia da República, onde era recomendada a reabertura da linha acompanhada de um conjunto de investimentos (na construção de novas infraestrutras e na requalificação de algumas já existentes, como apeadeiros e estações, por exemplo) que visam servir as populações de Matosinhos, Maia, Gondomar, Porto e Valongo. Mas no meio de tudo isto há quem defenda a reabertura de uma linha que se encontra inativa - ao serviço de passageiros - desde 2011 mas sem qualquer ligação a Ermesinde, como é o caso do coordenador metropolitano dos Transportes e da Mobilidade, Marco Martins. Nesta edição, apresentamos pois uma espécie de dossiê daquilo que veio a público sobre um assunto que promete fazer ainda correr muito tinta nos próximos tempos.

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    O assunto veio ao de cima com mais intensidade quando no dia 26 de janeiro era aprovada na Assembleia da República (AR) uma proposta, ou projeto de resolução, apresentada pelo grupo parlamentar do PCP para a reabertura do serviço ferroviário de passageiros entre Leixões e Ermesinde, com ligação a Campanhã. Recorde-se que este projeto de resolução havia sido apresentado pelo PCP na AR em maio de 2017, sendo que a 26 de janeiro último após discussão do mesmo na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas a proposta foi a votos, tendo sido aprovada com a abstenção do PS e do PSD e com os votos favoráveis das restantes bancadas parlamentares (PCP, CDS-PP, Bloco de Esquerda, PAN e PEV).

    De forma mais precisa, o PCP defende a reabertura imediata da linha entre Leixões e Ermesinde e com uma ligação a Campanhã, agregando a esta reabertura um conjunto de investimentos como a requalificação de estações e/ou apeadeiros ou a construção de novas infraestruturas que iriam permitir a criação de um novo serviço suburbano desde o Porto até Leixões, passando por Ermesinde. Entre as novas infraestruturas propostas destaca-se a construção de uma nova estação na Asprela (Porto), junto ao Polo Universitário e ao Hospital de S. João, dois pontos para onde diariamente se deslocam milhares de cidadãos residentes na nossa cidade - e zonas circundantes -, que assim ampliariam a sua rede de transportes públicos e ficariam a dispor de uma ligação mais rápida e direta aos dois pontos em questão.

    Num comunicado então emitido - e ao qual tivemos acesso -, o PCP sustenta que a sua «proposta reveste-se ainda de maior significado porque, ao contrário do que aconteceu em 2009, a mesma prevê a realização de um conjunto de investimentos que permitirão que este serviço sirva importantes núcleos populacionais de Matosinhos, Maia, Porto, Valongo e Gondomar; unidades industriais e empresas estratégicas para a região como a EFACEC; milhares de estudantes que frequentam o Polo Universitário da Asprela/S. João; em geral a população do distrito, particularmente do seu interior, porque o serviço permitirá a ligação com 10 linhas da STCP, a rede de metro do Porto (Estação do Senhor de Matosinhos, Esposade, Araújo e Estádio do Dragão) e cruza com as rodovias estruturantes do norte do País (A28, A4, A3, VRI, N13, N14)».

    Os comunistas acrescentam ainda que a sua proposta é «fundada numa estreita ligação aos problemas da mobilidade regional, aproveitando as potencialidades desta linha de Leixões, eletrificada ainda no final do século passado, prevendo-se a construção de um conjunto de infra-estruturas que vão garantir um serviço de qualidade, nomeadamente, a construção de uma Estação Intermodal de Passageiros de Leixões com estacionamento no terreno da APDL e interligação modal com o Metro na Estação Senhor de Matosinhos; dois novos apeadeiros na Arroteia/Leça do Balio e EFACEC (a poente da Via Norte); intervenções para melhoria da plataforma e abrigo para passageiros e rampas de ligação nas estações de Leça do Balio e São Mamede de Infesta; intervenções para melhoria da plataforma e abrigo para passageiros em S. Gemil e Ermesinde; a reativação da estação de Guifões, Ponte do Carro, Gondivinho e Araújo; e a criação da Estação do Polo Universitário da Asprela, no Porto, junto ao Hospital de S. João».

    Na proposta, o PCP diz ainda que «a reabertura da Linha de Leixões, acompanhada de um conjunto de investimentos nas atuais e novas infraestruturas, é uma decisão estratégica no quadro da mobilidade regional multi-modal e, provavelmente, o passo mais decisivo em termos de mobilidade regional nos concelhos do limite norte da cidade do Porto».

    De referir que nesse mesmo dia 26 de janeiro, também o PS viu ser aprovado na AR um projeto de resolução que visava igualmente a reabertura da Linha de Leixões ao serviço de passageiros. Nessa proposta o PS recomendava que o Governo elaborasse um estudo sobre as repercussões da reabertura do serviço ferroviário na linha. «Entendemos que esta linha poderá ser o anel estruturante para complementar a rede de Metro do Porto», diziam os socialistas na sua proposta, referindo ainda que para além das vantagens operacionais e da melhoria da rede de transportes, a reabertura da linha «permitiria ainda uma melhor rentabilização do material circulante dos Urbanos do Porto, reduzindo os seus tempos de paragem fora de pico». Esta proposta seria aprovada por unanimidade em sede da AR. É notório que ambas as propostas defendem a reabertura do serviço ferroviário da Linha de Leixões, serviço esse interrompido em 2011 por uma alegada falta da procura de passageiros - recorde-se que o serviço havia sido reaberto pela última vez em 2009 -, sendo que a diferença reside no facto de os comunistas recomendarem a abertura do serviço ao passo que os socialistas pretendem que o Governo faça um estudo prévio com vista a essa reabertura.

    A "CONTRAPROPOSTA"

    DE MARCO MARTINS

    Foto ALBERTO BLANQUET
    Foto ALBERTO BLANQUET
    Entretanto, dias mais tarde, mais concretamente a 6 de fevereiro, a edição daquele dia do Jornal de Notícias (JN) avançava com uma nova proposta favorável à reabertura do serviço ferroviário da Linha de Leixões ao tráfego de passageiros. Proposta essa da autoria de coordenador metropolitano dos Transportes e da Mobilidade, Marco Martins - e também presidente da Câmara Municipal de Gondomar - e que que em linhas gerais visava uma ligação direta entre Leixões e Campanhã, passando por Vila Nova de Gaia, mas excluindo Ermesinde dessa ligação. Na sua solução, Marco Martins "desenhava" uma alternativa à proposta do PCP, isto é, a linha proveniente de Leixões deixava de vir a Ermesinde, ou seja, a linha proveniente de Leixões chegava até S. Gemil, seguindo dali para o Forno, depois Rio Tinto (onde iria ser construída uma nova estação), Contumil e Campanhã. Esta proposta apresenta alguns pontos comuns com a do PCP, desde logo a construção de uma nova estação na Asprela (próximo do polo universitário e do Hospital de S. João) depois de S. Gemil. A partir daqui, e já de acordo com a linha de pensamento de Marco Martins, a linha seguiria da Asprela no sentido de S. Mamede de Infesta e para a Arroteia (Leça do Balio). Ainda de acordo com a notícia vinda a público no JN, esta proposta «além de prometer uma ligação mais rápida e curta para Campanhã, diz querer alargar a oferta aos cidadãos de Gaia, permitindo que os comboios que agora vêm do sul e terminam em Campanhã prolonguem o percurso». Ainda ao JN de 6 de fevereiro, Marco Martins afirmava que a vantagem da ligação Leixões-Campanhã-Gaia face à ligação da linha a Ermesinde «é permitir a ligação da estação de Campanhã, atual e futuro interface, à zona norte da Circunvalação e áreas de Gondomar, Maia e Matosinhos que não têm ferrovia para passageiros». O coordenador metropolitano dos Transportes e da Mobilidade explicava ainda ao JN que «esta linha paralela iria permitir para além do descongestionamento do metro uma ligação por ferrovia direta de Campanhã ao Hospital de S. João e ao polo universitário com um transbordo muito mais fácil em Campanhã feito nas plataformas da ferrovia à cota superior sem necessidade de recorrer ao metro». A proposta de Marco Martins esteve em discussão no Conselho Metropolitano do Porto no dia 23 de fevereiro, sendo que devido à necessidade de termos de fechar a presente edição um dia antes, não nos é possível apresentar nestas linhas o resultado dessa votação. Assim, voltaremos ao assunto quer na nossa edição on-line quer na nossa próxima edição impressa.

    PCP REITERA

    PROPOSTA DE LIGAÇÃO

    A ERMESINDE

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    Na sequência desta proposta de Marco Martins o PCP enviou um comunicado (ao qual tivemos acesso) aos órgãos de comunicação social, reiterando a sua proposta de recomendação ao Governo para a reabertura da Linha ferroviária de Leixões ao tráfego de passageiros, com ligação a Ermesinde e Campanhã. Nesse apontamento o PCP voltava a frisar que a sua proposta iria beneficiar «importantes núcleos populacionais de Matosinhos, Maia, Porto, Valongo e Gondomar, trabalhadores de unidades industriais e de empresas estratégicas para a região como a EFACEC, estudantes que frequentam o Polo Universitário da Asprela / S. João e em geral a população do distrito, particularmente do seu interior, servido pelas linhas do Minho e do Douro, que entroncam com a de Leixões em Ermesinde». O PCP relembrou ainda que a sua proposta «prevê alguns investimentos necessários à transformação da Linha de Leixões num eixo de grande importância para a melhoria da mobilidade numa vasta área do Porto e concelhos limítrofes». Acrescentaria nesse comunicado que «só a concretização da proposta na sua plenitude, dará viabilidade funcional e económica ao projeto».

    Os comunistas lançaram ainda críticas a Marco Martins, o coordenador metropolitano dos Transportes e da Mobilidade pela contraproposta apresentada e que visava a reabertura da linha de Leixões sem ligação a Ermesinde. Segundo o PCP, essa reabertura da linha sem ligação a Ermesinde seria retirar «ao projeto a mais importante e estratégica ligação, às linhas do Minho e do Douro, de onde se pode aceder rápida e diretamente ao Hospital de S. João, ao Polo Universitário, a variadas indústrias e outros locais de trabalho, até à costa, em Matosinhos. A "contraproposta" do Sr. Marco Martins não parece ter outro sentido que não seja o de "meter areia na engrenagem", ou seja, tentar impedir mais uma vez, ou pelo menos dificultar e atrasar, a abertura ao público de um importante eixo de comunicações na área ocidental do Grande Porto», diz o PCP.

    INFRAESTRUTURAS

    DE PORTUGAL ESTUDA

    MELHORIAS NA LINHA

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    Na sequência de todas estas propostas vindas a público questionamos a empresa Infraestruturas de Portugal relativamente à posição desta sobre a possibilidade da reabertura da linha, e em caso de resposta afirmativa para quando a concretização dessa mesma reabertura e se estarão, ou não, previstos investimentos e novas infraestruturas para o novo serviço na referida linha, e se efetivamente haverá uma ligação a Ermesinde.

    Na resposta à nossa solicitação a Infraestrutura de Portugal disse apenas que «está em desenvolvimento o estudo/projeto para intervenção na Linha de Leixões». A empresa responsável pela via férrea acrescentou ainda que «este projeto contempla intervenções para garantir o estacionamento/ultrapassagem de comboios de mercadorias e a supressão de diversas Passagens de Nível, substituindo-as por Passagens Desniveladas». Referiu ainda que «tendo em vista o reforço das condições de circulação, foi lançado o Concurso Público para a Empreitada de Substituição integral de carril e travessas nas linhas R6 e R10 na zona da Estação de Leixões, na Linha de Leixões», tendo essa empreitada um valor base de 350.000 euros.

     

     

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