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Edição de 15-04-2014
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    Arquivo: Edição de 20-10-2010

    SECÇÃO: Destaque


    O CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

    Os Bombeiros Voluntários de Ermesinde

    A prestigiada Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde constituiu-se em plena I República (1921), pela mão de eminentes republicanos locais que a serviram nos seus primeiros corpos gerentes, e foi a herdeira de outras colectividades ermesindenses republicanas, designadamente a “Instrução Militar Preparatória” e a “Sociedade e Sport de Ermesinde”.

    Estátua ao Bombeiro numa das rotundas de Ermesinde
    Estátua ao Bombeiro numa das rotundas de Ermesinde
    A nossa Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde, actualmente uma das maiores colectividades do concelho em número de sócios, foi fundada na sequência de uma reunião que se realizou na Travagem (no então Hotel Sobral), no dia 1 de Junho de 1921.

    Segundo “A Voz de Ermesinde”, edição de 12 de Julho de 1988, essa reunião foi presidida por João Maria Belo de Morais, secretariada por Cristiano Guilherme Cordeiro e Augusto Medina. A acta dessa assembleia fundadora da briosa Corporação dos Bombeiros de Ermesinde terá sido assinada ainda pelos seguintes elementos: Ernesto Tomás Coutinho, Eduardo Maia de Medina, Augusto César de Mendonça, Amadeu de Sousa Vilar, Manuel Pinto de Azevedo, Joaquim Garcia Ribeiro Teles, Júlio Alcino Cordeiro, José Guilherme Rodado dos Santos, Carlos Meireles de Mendonça, Alberto Garcia de Ribeiro Teles, Aurélio dos Santos Coelho, José Nicolau Saraiva, Feliciano Sobral, Armindo de Almeida, António Andrade de Sousa, Delfim da Cruz Lima e Joaquim Rodrigues dos Santos Gomes. Nessa mesma data foram aprovados também os seus primeiros Estatutos.

    Os republicanos destacam-se na sua 1ª Direcção

    Os seus primeiros Corpos Gerentes constituíram-se em 11 de Setembro de 1921, e deles fizeram parte muitos dos sócios fundadores, a saber:

    Assembleia Geral – Manuel Pinto de Azevedo (Presidente); Aurélio Ângelo dos Santos Coelho (Vice-Presidente); Alberto Garcia de Ribeiro Teles (1º Secretário); Henrique Augusto Maia de Medina (2.º Secretário); Júlio Alcino Cordeiro (Substituto do 1.º Secretário); e Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior (Substituto do 2º Secretário).

    Direcção – Amadeu Ferreira de Sousa Vilar (Presidente), Augusto César de Mendonça (Vice-Presidente); Cristiano Guilherme de Cordeiro (1º Secretário); António Andrade de Sousa (2º Secretário); Joaquim Garcia de Ribeiro Teles (Tesoureiro); João Maria Belo de Morais (1º Vogal); e Ernesto Augusto da Silva Tomás Coutinho (2º Vogal).

    Conselho Fiscal – António da Silva Brito (Presidente), Francisco Ramos Norte (Secretário) e Emílio Gilsanz (Relator).

    Os Bombeiros Voluntários de Ermesinde formaram-se no período da Primeira República, quase logo a seguir ao fim da 1ª Guerra Mundial, e terão beneficiado directamente de associações ermesindenses anteriores, onde pontificavam ilustres republicanos, como eram, entre outros, os seus primeiros Presidente e Vice-Presidente da Direcção, Amadeu Ferreira de Sousa Vilar e Augusto César de Mendonça, respectivamente.

    ASSOCIAÇÕES

    REPUBLICANAS

    ANTECESSORAS

    DOS BOMBEIROS

    Essas organizações anteriores foram a “Instrução Militar Preparatória” (cf. “A Voz de Ermesinde”, edição de Fevereiro de 1971) que, à semelhança do que aconteceu em muitas outras terras do País, se constituiu pouco depois da Revolução Republicana e era formada por civis voluntários que recebiam instrução militar para poderem servir a República, frente às incursões monárquicas, ou a Pátria, que foi atacada logo em 1914 pelas forças alemãs, em Angola e Moçambique.

    Terá sido já durante o período inicial da 1ª Guerra Mundial que os republicanos de Ermesinde aqui fundaram a “Instrução Militar Preparatória” visto a Pátria Portuguesa se encontrar de facto ameaçada. Quando aquele 1º conflito mundial terminou, a “Instrução Militar Preparatória” de Ermesinde continuou activa mais uns anos. Dela fizeram parte os jovens de Ermesinde e terras limítrofes. O instrutor era um Tenente do Exército que teve como instruendos: Feliciano Sobral, Carlos Meireles Mendonça, José Guilherme Rodados dos Santos, Joaquim e Alberto Garcia Ribeiro Teles, Augusto Fernandes de Carvalho e, entre outros, os filhos do ‘Lameirão' e os ‘Medina'.

    Homens com preparação física e vontade de trabalhar em prol da segurança e protecção da comunidade existiam. No dia da sua constituição, 1 de Junho de 1921, já havia Corpo de Bombeiros, 1º e 2º Comandantes. O 1º Comandante da Corporação foi João Maria Belo de Morais. Faltava material próprio para combate aos incêndios e o espaço adequado para a sede. Era preciso, portanto, envolver os homens do capital e do poder. E estes apareceram. Contudo, nem sempre as coisas correm como se deseja e há sempre pessoas menos e mais empenhadas. Num jornal republicano de Rio Tinto (A Mocidade Aldeã, de 15-1-1923), Feliciano Sobral, a propósito dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde, alerta para isto mesmo: «a Corporação não se tem desenvolvido, como era de esperar, devido à inércia duns e à pouca vontade doutros».

    Terminada a Guerra, a “Instrução Militar Preparatória” terá dado origem à “Sociedade e Sport de Ermesinde”, que continuava a ter militares como principais dirigentes: o Capitão Cordeiro e seu filho, 1.º Sargento Cordeiro, que dava aulas de Educação Física aos jovens (cf. “A Voz de Ermesinde”, de 12 de Julho de 1988).

    Grande parte dos fundadores mais jovens da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde pertencia à Sociedade e Sport de Ermesinde, designadamente António Augusto Vilar Saraiva, Feliciano Sobral, Rodados dos Santos, José Garcia Ribeiro Teles, Alberto Garcia Ribeiro Teles, Augusto Severo Maia de Medina, Eduardo Severo de Medina e os irmãos Mendonça, filhos do republicano e industrial, Augusto César de Mendonça. E terá sido no seio desta colectividade que nasceu a ideia de fundar uma Corporação de Bombeiros em Ermesinde. Uma vez criada, extinguiu-se a “Sociedade e Sport de Ermesinde”.

    No que respeita a material, os Bombeiros de Ermesinde dispuseram de início apenas de uma Bomba braçal cedida pelos Bombeiros Municipais do Porto (agora uma relíquia da Corporação que pode ser admirada logo à entrada do actual Quartel) e de 10 baldes de lona. Tudo o resto veio depois, muito depois, graças ao empenho de sucessivas direcções e comandos que tudo têm feito até hoje para garantir aos seus bombeiros os meios mais eficazes para poderem levar por diante a sua missão.

    Por altura dos aniversários, e sobretudo daqueles que são mais festejados (bodas de prata, de ouro e de diamante – todas já foram comemoradas por aquela que é uma das agremiações mais antigas da cidade), as “prendas” são normalmente novas viaturas ou importantes melhoramentos no Quartel-sede da Corporação, à Rua 5 de Outubro.

    Quanto à sede, os Bombeiros de Ermesinde já conheceram várias: Travagem, Rua Miguel Bombarda, Rua Ribeiro Teles (ao tempo, Rua Cândido dos Reis, na bonita casa que ainda lá se encontra, logo a seguir ao café que faz esquina com a Rua 5 de Outubro, e que pertenceu a Diamantino Almeida, o chamado “Rei do Aço”) e, desde 1939, Rua 5 de Outubro.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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