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Edição de 31-10-2020
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    Arquivo: Edição de 15-11-2006

    SECÇÃO: Tecnologias


    Palavras e frases confusas que vale a pena evitar (1)

    Existem certas palavras e frases que recomendamos evitar, ou, pelo menos, elucidar em determinados contextos ou utilizações. A razão é que são ambíguas ou expressam indirectamente uma opinião com a qual esperamos que não estejam totalmente de acordo.

    ABERTO

    Por favor, evite o uso da palavra “aberto” como substituto de “software livre”. Outro grupo, cujos valores são menos idealistas que os nossos, utiliza a expressão “de fonte aberta” como slogan. Quando se referem a eles próprios, que usem o seu nome, mas por favor, não nos confundam com eles nem descrevam o nosso trabalho com a sua denominação (isso faz com que as pessoas pensem que somos partidários das suas ideias).

    ADMINISTRAÇÃO DE DIREITOS DIGITAIS (ADD o DRM)

    O software para a “Administração de Direitos Digitais» (“Digital Rights Management” ou DRM) está desenhado na realidade para impor restrições aos utilizadores de computadores. O uso da palavra “direitos” nesta expressão é propaganda, pensada para que, sem que nos demos conta, vejamos o assunto do ponto de vista dos poucos que impõem as restrições, enquanto se ignoram os direitos dos muitos a quem as restrições são impostas.

    “Administração de Restrições Digitais” ou “software-algema” («handcuffware») são boas alternativas.

    FECHADO

    Descrever o software não livre como fechado faz uma clara referência à expressão “fonte aberta”. No movimento do software livre queremos evitar que nos confundam com o mais recente movimento da fonte aberta, pelo que procuramos evitar usos que levem as pessoas a confundir-nos com ele. Por conseguinte, evitamos descrever o software não livre como “fechado”. Chamamos-lhe «não livre» ou «proprietário».

    COMERCIAL

    Por favor não use “comercial” como sinónimo de “não livre”. Estaríamos a confundir dois assuntos completamente distintos.

    Um programa é comercial se se desenvolve como parte de uma actividade económica. Um programa comercial pode ser livre ou não livre, segundo a sua licença. Da mesma forma, um programa desenvolvido por uma escola ou um particular pode ser livre ou não livre, segundo a sua licença. Ambas as questões, que espécie de entidade desenvolveu o programa e que liberdade têm os seus utilizadores, são independentes.

    Na primeira década do movimento do software livre, os pacotes de software livre eram quase sempre não comerciais; os componentes do sistema operativo GNU/Linux foram desenvolvidos por indivíduos ou organizações sem objectivo de lucro, como a FSF e universidades. Porém, nos anos 90, começou a aparecer software livre comercial.

    O software livre comercial é uma contribuição para a nossa comunidade, pelo que devemos promovê-lo. Mas os que pensem que “comercial” significa “não livre” terão que pensar que a combinação de “livre” e “comercial” é contraditória, e rechaçarão essa possibilidade. Devemos ter cuidado em não utilizar a palavra “comercial” com este sentido.

    CONSUMIDOR

    O termo “consumidor”, quando se utiliza para nos referirmos a utilizadores de computadores, traz consigo implícitos alguns preconceitos pouco felizes.

    A teoria económica faz uso dos termos “produtor” e “consumidor”. Neste contexto, estas palavras são apropriadas. Mas quando se descrevem utilizadores de software como “consumidores”, está-se-lhes a conceder um papel muito limitado. Assume-se que a única função que as pessoas podem desempenhar é a do gado que pasta passivamente naquilo que os outros lhe oferecem.

    Esta forma de pensar dá lugar a paródias como a CBDTPA (Lei de Promoção da Televisão Digital e da Banda Larga para o Consumidor), que obrigaria a incluir mecanismos de restrição de cópia em cada dispositivo digital. Se tudo o que os utilizadores fazem é «consumir», por que razão ir preocupá-los?

    A reduzida visão económica de «utilizadores» como «consumidores», tende a ir a par com a ideia de que os trabalhos publicados são «conteúdo».

    Para descrever pessoas que não se limitam a consumir passivamente com os seus computadores, sugerimos termos tais como «indivíduos» e «cidadãos».

     

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