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Edição de 31-10-2018
Jornal Online

SECÇÃO: Património


foto

Acontecimento Insólito em S. Lourenço de Asmes (2ª parte)

Para esta história, achamos necessário o seu enquadramento físico e temporal, para além do envolvimento familiar. Sendo assim vamos iniciar por descrever alguns dos intervenientes.

CERTIDÃO DE NASCIMENTO DE GUILHERME AUGUSTO MACHADO PEREIRA
CERTIDÃO DE NASCIMENTO DE GUILHERME AUGUSTO MACHADO PEREIRA
Começamos por Guilherme Augusto Machado Pereira(1) , pai do nosso protagonista, e que nasceu na Rua do Almada(2), na freguesia de Santo Ildefonso, nesta cidade do Porto, no dia 8 de abril de 1822, e pertencendo a uma família de alguns pergaminhos.Era filho legítimo de João Pereira da Cruz Lima, cavaleiro da Ordem de Cristo(3), e de sua mulher D. Rosa Gertrudes Bernardes Machado, moradores na dita rua. Este João Pereira da Cruz Lima, industrial e homem de prestígio na cidade do Porto, era sócio de Thomas Costa numa fábrica de chapéus na Rua Nova do Almada, fundada com privilégio em 21 de maio de 1801(4). Foi baptizado na Igreja Paroquial desta freguesia(5), no dia 15 de abril de 1822, tendo como padrinhos Álvaro José Cardoso, morador na Ferraria de Cima, da freguesia da Vitória, e teve como madrinha Ana Augusta Bernardes de Lima, irmã do batizado. Sendo neto paterno de Manuel Pereira da Cruz Lima, que era natural de Ponte de Lima e sua mulher Rosa Maria, esta natural da Vila da Feira, e materno de Manuel José Bernardes natural da freguesia de Guardizela(6) , do arcebispado de Braga e de Quitéria da Cunha Alões, natural desta cidade.

Quanto à sua instrução, nada sabemos, mas em 1830, já haveria cerca de um milhar de escolas primárias pelo país, as cidades de Lisboa e Porto teriam a maior quantidade. Aos quinze anos emigrou para o Rio de Janeiro, de um Brasil já independente, seguindo os passos de um tio, lá estabelecido, e conforme o testemunho do passaporte n.º 433 e que aqui se mostra, e atente-se na sua descrição física, idade de 15 anos, estatura regular, rosto comprido, cabelo louro, olhos castanhos e nariz regular, solteiro, onde neste passaporte é autorizado a viajar ao Rio de Janeiro por um período de 30 dias. No Rio de Janeiro dedicou-se à atividade comercial sob a proteção de um tio(7), que também saíra da cidade invicta e granjeara na capital brasileira uma posição confortável no comércio. Sem pôr em causa as suas qualidades de trabalho, a vida de emigrado de Guilherme Augusto não terá sido muito penosa, pois o tio, logo o instituiu como seu herdeiro, podendo desde logo dedicar-se a certos cargos públicos no novo país, que o recompensou com a comenda da Ordem da Rosa(8), do Brasil.

D. ROSA GERTRUDES BERNARDES MACHADO. SUA MÃE.
D. ROSA GERTRUDES BERNARDES MACHADO. SUA MÃE.
1 Na próxima parte publicaremos a sua foto.

2 A Rua do Almada é um arruamento nas freguesias de Vitória, Santo Ildefonso e Cedofeita da cidade do Porto, consultado o https://pt.wikipedia.org/wiki/Rua_do_Almada, em 30-09-2018.

JOÃO PEREIRA DA CRUZ LIMA; NASCEU EM 6-5-1758 E MORREU EM 10-4-1828. SEU PAI.
JOÃO PEREIRA DA CRUZ LIMA; NASCEU EM 6-5-1758 E MORREU EM 10-4-1828. SEU PAI.
3 Concedida por destacados serviços prestados no exercício das funções em cargos de soberania ou Administração Pública.

4 Conforme artigo “A Indústria Chapeleira Portuense entre 1750 e 1852. Oficinas, Fábricas e Manufacturas” publicado por José António Real Pereira Ramada, professor na Escola Secundária de Valongo.

5 Esta Igreja tinha sido inaugurada em18 de julho de 1739.

PASSAPORTE
PASSAPORTE
6 Esta freguesia, até 1834, era do termo de Barcelos, passando depois a pertencer a Vila Nova de Famalicão, e anos depois foi unida ao concelho de Guimarães. A freguesia possui vestígios da ocupação castreja, com influências da romanização. A igreja paroquial é setecentista com interessantes retábulos em talha dourada.

7 Não consegui identificar este tio, se paterno ou materno, provavelmente morreu solteiro ou sem descendentes pois deixou toda a sua fortuna ao sobrinho.

RIO DE JANEIRO EM 1834
RIO DE JANEIRO EM 1834
8 Para perpetuar a memória de seu casamento com D. Amélia de Leuchtenberg, estabeleceu D. Pedro I em decreto de 17 de outubro de 1829, essa ordem de cunho militar e civil. Destinava-se a premiar militares e civis, nacionais e estrangeiros que se distinguissem por sua fidelidade à pessoa do Imperador e por serviços prestados ao Estado. Os seus graus até oficial conferiam honras militares.

Fim da 2.ª parte

(continua)

Por: Carlos Marques

 

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