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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 20-10-2010

    SECÇÃO: Editorial


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    Sol de Outono

    Ao contrário da vida dos portugueses o tempo tem corrido de feição, pelo menos para leigos como eu, que adoro este sol outonal, caminhar entre árvores e vinhas coloridas, calcar as folhas secas que o vento arrastou para o chão e ouvir o barulho do seu rolar, sentir o cheirinho a castanha assada, o friozinho de fim de tarde que nos convida a acelerar o passo nos passeios à beira-mar…

    Mas os meus silêncios, a minha paz, é pouco duradoura, ninguém pode ficar indiferente diante deste desmoronar da economia portuguesa.

    Na verdade a crise financeira é global, mas «a economia portuguesa sofreu a acção da crise financeira, por factores exógenos, ou seja originários do Exterior, como por factores internos, devido aos elevados níveis de endividamento que os agentes económicos atingiram».

    Como consequência aumentou o desemprego, o número de falência de empresas, famílias e pessoas.

    Hoje vive-se aterrorizado e, por muito optimismo que os políticos queiram aparentar, a realidade é capaz de ser pior, talvez ultrapasse o que um comum dos mortais possa imaginar.

    Não produzimos quase nada, importamos quase tudo, não temos indústria, não temos agricultura, não temos pescas e convencemo-nos de que podíamos viver do turismo e dos serviços.

    O Governo afirma que «estabilidade política e governabilidade são essenciais em momentos de crise», no entanto os dois maiores partidos políticos não se entendem para a aprovação do Orçamento de Estado.

    As lutas partidárias, neste momento, parecem-me uma encenação teatral, cada um tenta tirar partido e manipular os dados a seu favor, todos pensam nas próximas eleições e é quem mais se safa para ficar bem na fotografia. Mas todos nos saímos muito mal, uns mais do que outros e agora não vale a pena lamentar, o que é preciso é encontrar uma saída que seja justa para todos e não deixe de fora os maiores responsáveis.

    Podem os leitores de “A Voz de Ermesinde” achar que estou sempre a falar do mesmo, têm razão, mas parece que a maioria dos portugueses ainda não se apercebeu que vai ter mesmo de mudar de vida.

    As épocas de crise são sempre muito confusas e é fácil neste momento embarcar em propostas das quais nos podemos arrepender mais tarde, refiro-me em especial a valores que ultrapassam em muito estas teorias mercantilistas que se querem sobrepor às sociais, e até éticas, pelas quais nos batemos nestas últimas décadas.

    Há cortes orçamentais que têm de ser muito bem geridos e que não podem ser de muito longa duração, temos que desenvolver a economia o mais rapidamente possível para combater o desemprego, aumentarmos as nossas produções, temos de produzir riqueza, mas esta terá de ser melhor distribuída.

    Com o aumento do desemprego de longa duração as pessoas vão perdendo qualidades, perdem os ritmos naturais de quem trabalha, sentem-se discriminados, desligam-se do convívio natural entre as pessoas, crescem os ódios, e aprende-se a viver de donativos, sejam eles oficiais ou particulares. Não se vive, aguenta-se até poder…

    Estamos no Outono, às vezes até brilha o sol, mas não aquece.

    Por: Fernanda Lage

     

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