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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 20-10-2010

    SECÇÃO: Opinião


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    Eureka!

    Depois de tanta conversa política, eis que o Orçamento de Estado para 2011 é apresentado na Assembleia da República e explicado pelo ministro das Finanças em conferência de imprensa de ontem. O atraso na apresentação do referido documento vem sendo alvo de críticas dos partidos da oposição, os quais alegam que o prazo institucional não foi cumprido pelo governo, na medida em que ao findar do dia 15 de Outubro apenas apresentou “metade” do OE, faltando a parte tida por mais importante, que é o relatório onde estão explicitadas as linhas orientadoras que tornam possível perceber as variáveis constantes dos mapas.

    É certo que nos últimos anos esta obrigação governamental tem conhecido as suas vicissitudes no que respeita a cumprimento de prazos, tendo sempre havido uma explicação, nomeadamente quando aconteceu a entrega de uma “pen drive” vazia, onde era suposto estar registado todo o conteúdo do OE. Mas este ano, se nos é permitido um pequeno exercício especulativo, acho que as razões para o atraso foram outras.

    O Governo e o Partido Socialista começaram cedo a massacrar o PSD numa tentativa de lhes “arrancar” um compromisso que os colasse a um qualquer OE da iniciativa governamental, por forma a que, quando confrontados com a realidade, não tivessem, ou tivessem pouco, espaço de manobra para decidirem o voto na Assembleia da República diferente do “cheque em branco” que precipitadamente tivessem dado, arcando, então, com as seguintes consequências: se tivessem manifestado votar contra, logo seriam apelidados de irresponsáveis por anunciarem estarem em desacordo com algo que nem sequer conheciam; se cedessem à pressão levada até à exaustão por agentes políticos e financeiros, proclamando que deixariam passar o OE qualquer que ele fosse, a sua credibilidade de partido responsável deixaria muito a desejar. Achamos, por isso, que o Governo esperou até ao limite do tempo constitucional que a sua “matreirice” produzisse resultados e, não logrando sucesso, lá teve de às 23,30 horas apresentar qualquer coisa a completar no dia seguinte, enquanto o PSD se aguentou não cedendo às ameaças, arrogâncias e chantagens de que foi objecto, podendo gritar a meio da manhã do dia 16 de Outubro: EUREKA! Acabou o tabu governamental.

    Conhecidas algumas medidas introduzidas no documento, os portugueses não têm razões para se orgulharem do governo que escolheram, tendo de se preparar para o fortíssimo apertão de cinto resultante de aumento de impostos, redução de salários líquidos, subida de preços nos bens essenciais de consumo, aumento de desemprego, etc., tudo em nome de uma redução do défice das contas públicas que é imperioso conseguir em 2011, procurando, assim, atenuar os riscos de bancarrota que nos espreita, fruto das desastrosas medidas governativas que nos colocaram a todos neste drama de vermos as condições de vida a degradar-se dia após dia, sem que haja garantia de que os sacrifícios de ontem, de hoje e de amanhã, sejam capazes de proporcionar melhores dias a partir de 2011. Uma autêntica tragédia, agravada pela circunstância de termos de manter na governação quem nos empurrou para o abismo.

    Os governantes gritam a bons pulmões que os sacrifícios são pedidos e suportados por todos, mas uma análise não muito fina dos cortes anunciados nas despesas da máquina do Estado demonstra que assim não é. Um exemplo: a despesa total do Estado sofrerá uma redução da ordem dos 3,5%; os gastos públicos encolherão 4,5%; para os ministérios da Educação, Saúde, Defesa e Trabalho, anunciam-se cortes superiores a 10% mas, para a Assembleia da República, a redução não vai além de 1,1%, cerca de um milhão de euros, continuando os “Senhores” deputados a disporem de quase 100 milhões de euros para suportar as mordomias que atribuíram a si próprios. Uma imoralidade que os enormes sacrifícios impostos aos portugueses impõem que seja corrigida na aprovação final do OE. Apesar de tudo, a Presidência da República é mais compreensiva ao aceitar que o seu orçamento sofra uma redução de 3,7 milhões de euros, praticamente quatro vezes mais que a AR. Estes “rapazes” acantonados no Palácio de S. Bento são, de facto, qualquer coisa de meter medo aos seus concidadãos. Mas, Enquanto militantes partidários e eleitores não forem capazes de promover a substituição de “Jotinhas” por homens de Estado, a coisa pública não terá outro tipo de gestão diferente da ruinosa que bem conhecemos.

    Foto ARQUIVO MANUEL VALDREZ
    Foto ARQUIVO MANUEL VALDREZ

    PS: Acabo de ler na última edição do semanário Expresso o “Ranking Expresso/SIC do Ensino Secundário”, onde são analisados os resultados em estabelecimentos com mais de 100 provas realizadas e, chocou-me ver as escolas do nosso concelho nos indesejáveis lugares de 189º, 377º e 401º, atribuídos às Escolas Secundárias de Ermesinde, Alfena e Valongo, respectivamente, com quedas para as escolas de Valongo e de Ermesinde e modesta recuperação para a de Alfena, sendo que à sua frente estão muitas dezenas de Escolas Secundárias. Este facto leva-me a apelar aos utentes das nossas escolas secundárias (directores, professores, alunos e pessoal auxiliar) a meterem-se em brios, organizando-se e motivando-se para inverte a situação em que se encontram, puxando pelos seus conhecimentos e auto-estima, colocando os alunos em permanente competição sadia, não regateando tempo para os ajudar sempre que precisem e, quando não saibam como proceder, tenham a humildade de recorrer aos colegas de escolas colocadas no “Top Ten”, buscando conhecimentos de quem já provou saber fazer melhor. E não precisam de sair do distrito.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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