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Edição de 31-07-2019
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    Arquivo: Edição de 30-05-2010

    SECÇÃO: Opinião


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    Pedir desculpa? Porque não?

    As declarações do líder do PSD, pedindo desculpa aos portugueses por não ter respeitado o compromisso de não proceder a aumentos de impostos assumido perante o eleitorado, justificando a “quebra” com o dever patriótico de colaborar com o Governo na implementação de medidas necessárias para satisfazer as exigências impostas pelo “Directório” ou “Directora” da UE (Angela Merkel, acolitada por Nicolas Sarkozy), provocaram nas hostes socialistas um coro de desaprovação, todas elas prenhes de “indirectas” para com Passos Coelho, destacando-se Francisco Assis e José Sócrates: o primeiro convidando o “parceiro” do dia anterior a demitir-se, e o segundo a recusar idêntico acto de contrição, afirmando que está a fazer o seu melhor para resolver os problemas do país.

    Deixando de lado a “boutade” de Assis, detenhamo-nos no comportamento do primeiro-ministro, começando pela parte de não sentir obrigação de pedir desculpa aos portugueses. Mas então um político que promete aos eleitores que se nele apostarem, poderão contar com a criação de 150 000 empregos e passados vários anos de governação a taxa de desemprego regista exponencial aumento, muito antes do rebentamento da crise, não deveria pedir desculpa pelo embuste da promessa ou incapacidade de promover políticas geradoras dos tais novos empregos?

    Passando à recorrente afirmação do PM, de ter e estar a fazer o seu melhor para resolver os problemas de Portugal, a pergunta que se impõe é a seguinte: se tem e está a fazer o seu melhor e os problemas conjunturais e estruturais não só se mantêm, como se agravam, mês após mês, que conclusões deveremos extrair? A primeira que será imprudência esperar da actividade do primeiro-ministro, e do seu Governo, soluções e resultados diferentes dos conhecidos, na medida em que ele já deu o seu melhor, pelo que não poderá ir mais além. A segunda impõe-nos o reconhecimento de que José Sócrates poderá ter muitos predicados, mas sempre lhe faltará “estaleca” governativa para exercer com sucesso o cargo a que foi guindado pelas circunstâncias político-partidárias, sem as quais provavelmente seria outro e não ele o primeiro-ministro, como se depreende de declarações recentes do socialista Jorge Coelho.

    Lembrava há dias o Prof. Abel Mateus, que a qualidade da governação não se mede pelo marketing e propaganda governativa, com anúncios de grandes sucessos deferidos para futuro, mas pelos resultados projectados na qualidade de vida dos cidadãos para quem a governação se destina e sem cujo desiderato o Estado não faz qualquer sentido ou falta.

    Chegados aqui, se a ética política fosse apanágio do primeiro-ministro, José Sócrates já teria posto o seu lugar à disposição do Partido Socialista para que este indicasse, rapidamente, um substituto “limpo” de suspeitas, com curriculum indicativo de ser pessoa com conhecimentos e capacidade galvanizadora, capazes de mobilizarem os cidadãos, as empresas e os investidores para a “empreitada” de modernizar o aparelho produtivo, aumentar a competitividade, reanimar os sectores: agrícola e pescas, cortar na despesa corrente do Estado, suprimindo tudo quanto seja supérfluo e reduzindo drasticamente as transferências do OE para: PR, AR, Governos Regionais, autarquias, partidos políticos, institutos e todos os demais que vivem à mesa do orçamento. Numa palavra: modernizando o país, obrigando os cidadãos, pela via da redução dos recursos financeiros, a serem rigorosos no desempenho das suas funções (políticas ou profissionais) e na gestão dos dinheiros públicos, atalhando de imediato o despesismo orçamentado do Parlamento, como é citado pelo “Correio da Manhã” de hoje (25/05/2010).

    Levar esta “carta a Garcia” não é fácil, donde ser indispensável que o protagonista seja alguém, que pelo seu passado, a sociedade reconheça como capaz de apontar um rumo com uma luz ao fundo do túnel, predicado que não pode ser exigido a José Sócrates a quem, no momento da saída, ficaria bem pedir desculpa aos portugueses pelos danos que a sua incapacidade gestionária lhes tem causado.

    * Técnico oficial de contas

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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