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    Arquivo: Edição de 10-09-2009

    SECÇÃO: Psicologia


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    A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE MENTAL

    Transtorno de Personalidade Esquizotípica

    Este é um espaço de reflexão e diálogo sobre temas do domínio da Psicologia, que procurarei dinamizar com regularidade, trazendo para aqui os principais problemas do foro psicológico que afectam pessoas de todas as idades.

    Na qualidade de psicóloga estou disponível para os leitores de “A Voz de Ermesinde” me poderem colocar as questões que desejarem ver esclarecidas, através de carta para a redacção deste quinzenário ou para o seguinte “e-mail”: joanapatriciadias@sapo.pt

    A característica essencial do Transtorno da Personalidade Esquizotípica é um padrão invasivo de déficits sociais e interpessoais, marcado por agudo desconforto e reduzida capacidade para relacionamentos íntimos, além de distorções cognitivas ou perceptivas e comportamento excêntrico. Este padrão começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.

    Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Esquizotípica muitas vezes têm ideias de referência (isto é, interpretações incorrectas de incidentes casuais e acontecimentos externos como se tivessem um significado particular e incomum, especificamente destinado a eles). Estas ideias devem ser diferenciadas dos delírios de referência, nos quais as crenças são mantidas com convicção delirante.

    Estes indivíduos podem ser supersticiosos ou preocupar-se com fenómenos paranormais que estão fora das normas da sua cultura. Podem pensar que possuem poderes especiais de pressentir acontecimentos ou de ler os pensamentos de outras pessoas. Podem crer que possuem um controlo mágico sobre os outros, o qual pode ser implementado directamente ou indirectamente, através do cumprimento de rituais mágicos (por ex., passar por um determinado objecto três vezes, para evitar certa consequência funesta).

    Alterações da percepção podem estar presentes (por ex., sentir a presença de outra pessoa ou ouvir uma voz murmurando o seu nome). O seu discurso pode incluir construções idiossincráticas, sendo frequentemente desconexo, digressivo ou vago, porém sem um real descarrilamento ou incoerência. As respostas podem ser demasiadamente concretas ou abstractas, e as palavras ou conceitos ocasionalmente são aplicados de maneira incomum (por ex., a pessoa pode afirmar que não estava "conversável" no trabalho).

    Os indivíduos com este transtorno são frequentemente desconfiados, podendo ter ideação paranóide (por ex., acreditar que os colegas de trabalho estão decididos a estragar a sua reputação).

    Geralmente não são capazes de lidar com toda a faixa de afectos e indicadores interpessoais necessários para relacionamentos bem-sucedidos, de modo que muitas vezes parecem interagir com os outros de maneira inadequada, rígida ou constrita.

    Estes indivíduos muitas vezes são considerados esquisitos ou excêntricos por causa dos maneirismos incomuns, pelo seu modo desleixado de vestir-se, no qual "nada combina com nada", bem como pela sua desatenção às convenções sociais habituais (por ex., evitar o contacto visual, usar roupas manchadas de tinta e que não servem, ser incapaz de participar, de conversar com os colegas).

    Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Esquizotípica vivenciam os relacionamentos interpessoais como problemáticos e sentem desconforto na interacção com outras pessoas. Embora possam expressar infelicidade acerca da sua falta de relacionamentos, o seu comportamento sugere pouco desejo de ter contactos íntimos. Como resultado, habitualmente têm poucos ou nenhum amigo íntimo ou confidente, excepto algum parente em primeiro grau.

    Sentem-se ansiosos em situações sociais, particularmente naquelas que envolvem estranhos. Estes indivíduos interagem com os outros quando precisam, mas preferem ficar sós, por acharem que são diferentes e simplesmente não "se encaixam". A sua ansiedade social não cede com facilidade, mesmo quando passam mais tempo no contexto ou se familiarizam com as outras pessoas, porque a ansiedade tende a estar associada com suspeitas acerca das motivações dos outros. Por exemplo, ao comparecer a um jantar, o indivíduo com Transtorno da Personalidade Esquizotípica não relaxa com o passar do tempo, mas, ao contrário, pode tornar-se ainda mais tenso e desconfiado.

    Por: Joana Dias

     

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