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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 20-09-2008

    SECÇÃO: Gestão


    Os Valores e as Organizações

    Há quem diga que estamos a atravessar uma fase de crise de valores.

    Esta é uma questão profunda, que tem as suas raízes na fundação das Civilizações e num percurso histórico muitas vezes atribulado, que podemos rever nos dias de hoje através de confrontos civilizacionais com expressão em conflitos que persistem em alguns lugares do mundo.

    Trata-se de confrontos de valores, de crenças e convicções, apesar de algumas vezes, estas estarem mascaradas por interesses meramente económicos.

    Estamos integrados num bloco geográfico onde predomina uma ordem de matriz judaico-cristã, que para além de determinar valores fundamentais de comportamento, confere também unidade e coesão aos povos que integra.

    Veja-se a propósito o que se passou nos primórdios da nossa nacionalidade, em que o espírito das cruzadas e os valores que lhe estavam subjacentes, permitiram a expulsão dos sarracenos da Península e que culminaram com a unificação da Espanha pelos Reis Católicos, numa lógica de unidade contra o inimigo comum. Aqui, também a individualidade e identidade dum povo emerge como valor fundamental, e no nosso caso, concreto, a Identidade Lusitana, afirmou-se como o gene da Nacionalidade.

    Por todo o lado onde passamos, mesmo no lugar mais recôndito, podemos ver os sinais dos nossos valores fundamentais, representados em templos, catedrais, capelas ou simples cruzeiros, que são a expressão dessa matriz que tem também sentido evoluções ao longo do tempo.

    A esse respeito importa referir os momentos atribulados por que passou a Igreja – Instituição-mestre da nossa civilização – em tempos de Reforma e Contra-Reforma, quando se operou a cisão entre católicos e protestantes, com consequências visíveis nas nações e nos povos que seguiram as diferentes vias ou padrões morais assumidos por cada corrente.

    De facto, os fundamentos morais, os princípios e dogmas que estão na base teórica e teológica das religiões e dos povos unificados por elas, afectam todos os indivíduos e instituições, pois constituem os fundamentos da unidade e impõem regras de comportamento e relacionamento com implicações sociais e políticas importantes… e económicas!... (veja-se o papel de Calvino no processo da Reforma da Igreja que, defendendo pela primeira vez, que a utilização e o negócio de dinheiro não era pecado, criou o gene do capitalismo dos nossos dias).

    É a evolução dos valores, promovida por diversas revoluções, e em diversos contextos, que tem projectado nos dias de hoje o actual Estado social, num percurso cíclico de avanços e recuos conforme as circunstâncias.

    Analisando o que se tem passado no nosso pequeno rectângulo, depois do 25 de Abril, mais uma vez verificamos que, mantendo-se o quadro moral judaico-cristão, que fundamenta toda a arquitectura jurídica legal em Portugal, existem valores que têm sido objecto de mutações, isto é, têm passado de Bem a Mal, ou vice versa, função das circunstâncias ou de novas lógicas ideológicas – veja-se a propósito o que se passou com a lei do aborto.

    Também nas organizações, que são basicamente constituídas por indivíduos, os valores tendem a ter diferentes gradações muitas vezes afectados por interesses fundados no vil metal, gerados por ideologias ultra-liberais que podem degenerar num capitalismo selvagem, de todo indesejável.

    Desde o 25 de Abril, com a abertura dos mercados e mais recentemente com a globalização e o novo mundo da informação e da comunicação, valores anteriormente respeitados como a Honra, a Amizade, a Dignidade, a Solidariedade, têm vindos a ser desvalorizados a favor de outros, como o individualismo, a competição, a concorrência muitas vezes desleal, a corrupção e a violência, que todos os dias nos é relatada nos telejornais.

    Há que recuperar muitos dos valores perdidos… ou adormecidos, inverter os comportamentos de forma gradual, um pouco à semelhança do que se passou com as preocupações ambientais, reeducar o povo através das células familiares, das Empresas e Instituições e, sobretudo, de políticas dirigidas, no sentido da moralização das pessoas, num processo demonstrativo, consensual e de fortes convicções.

    Por: José Quintanilha

     

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